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EUA pedem para cidadãos evitarem alimentos processados e açúcar adicionado

Por Leticia Florenço
09/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Açúcar adicionado - Reprodução

Açúcar adicionado - Reprodução

O governo dos Estados Unidos divulgou nesta quarta-feira (7) as Diretrizes Alimentares 2025-2030, destacando a importância de priorizar alimentos integrais, proteínas de qualidade e limitar ultraprocessados e açúcares adicionados.

As recomendações foram anunciadas pelo Secretário de Saúde, Robert F. Kennedy Jr., e pela Secretária de Agricultura, Brooke Rollins, como parte da agenda “Tornar a América Saudável Novamente” (MAHA).

Kennedy enfatizou que a mensagem é clara: “Comam comida de verdade”. O objetivo é estimular a população a substituir produtos industrializados por alimentos frescos e naturais, como vegetais, frutas, grãos integrais e laticínios.

A novidade inclui uma pirâmide alimentar invertida, com proteínas, laticínios e gorduras saudáveis no topo e grãos integrais na base, reforçando a importância da diversidade nutricional.

O fim dos ultraprocessados?

As novas diretrizes recomendam evitar alimentos altamente processados, aqueles prontos para consumo, embalados ou muito salgados e doces, como biscoitos, batatas fritas e doces industrializados. Esses produtos, ricos em calorias e pobres em nutrientes, estão associados a diabetes, obesidade e doenças crônicas.

Apesar disso, alguns especialistas alertam que nem todos os alimentos processados são prejudiciais, e que a atenção deve se concentrar nos carboidratos ultraprocessados.

Proteínas em alta

Uma das mudanças mais significativas é a aumento da ingestão de proteínas, passando de 0,8 g/kg de peso corporal para 1,2–1,6 g/kg, incentivando um consumo maior de carnes magras, ovos, laticínios e proteínas vegetais.

O foco é substituir carboidratos refinados por nutrientes de qualidade, fortalecendo a massa muscular e o equilíbrio metabólico.

Açúcares adicionados

O consumo de açúcar adicionado deve ser moderado ou evitado completamente, com nenhuma refeição ultrapassando 10 g, o equivalente a duas colheres de chá.

Antes, a recomendação permitia até 12 colheres de chá por dia, mas a nova diretriz reforça a necessidade de redução significativa, considerando que americanos consomem, em média, 17 colheres de chá diárias.

Gorduras saturadas sob nova perspectiva

Apesar de décadas de recomendações contra as gorduras saturadas, as novas diretrizes permitem o consumo moderado de gorduras de origem animal, incluindo manteiga, sebo e carnes, desde que não ultrapassem 10% das calorias diárias.

Essa mudança busca dar mais flexibilidade sem comprometer a saúde cardiovascular, mas gera debates entre especialistas.

Álcool

As diretrizes revogam os limites específicos de consumo de álcool, substituindo regras rígidas por uma orientação geral: beber menos é melhor para a saúde. O álcool deve ser evitado por grávidas, pessoas em recuperação e quem não consegue controlar a ingestão, mas não há mais cotas diárias específicas.

Impacto nas políticas públicas e merenda escolar

As diretrizes servirão de base para políticas federais de nutrição, incluindo o Programa Nacional de Merenda Escolar, que atende quase 30 milhões de crianças diariamente.

A implementação completa nos cardápios escolares deve ocorrer até 2027, alinhando refeições à nova orientação sobre alimentos frescos, proteínas e redução de açúcares e ultraprocessados.

Reações da comunidade científica

Especialistas elogiaram a simplicidade e a ênfase em alimentos integrais e proteínas, mas alguns questionam a flexibilização sobre gorduras saturadas e a ausência de recomendações detalhadas sobre ultraprocessados.

A diretora Marion Nestle lembra que a ciência sobre alimentação não mudou fundamentalmente, e que a grande novidade é a clareza e objetividade do guia.

As Diretrizes Alimentares 2025-2030 representam um esforço para reconectar a população com hábitos alimentares saudáveis, combatendo doenças crônicas e fortalecendo políticas públicas de nutrição.

Entre a redução de açúcares, o incentivo a proteínas e o foco em comida de verdade, o país busca equilibrar tradição, ciência e prática no cotidiano alimentar.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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