Uma disputa por uma área de mais de 200 quilômetros quadrados voltou a colocar Brasil e Uruguai frente a frente depois de décadas sem avanços concretos sobre o tema.
O impasse, que envolve interpretações históricas da fronteira entre os dois países, ganhou novo fôlego recentemente e reacendeu discussões diplomáticas que pareciam adormecidas.
Disputa por área de mais de 200 km² coloca Brasil e Uruguai frente a frente
A área em questão é conhecida como Rincão de Artigas, uma faixa territorial localizada no extremo sul do Brasil, no município de Santana do Livramento, na fronteira com a cidade uruguaia de Rivera.
Com cerca de 237 km², o território é administrado pelo Brasil há décadas, mas o Uruguai sustenta que a região foi incorporada de forma equivocada ao lado brasileiro.
Para o governo uruguaio, a linha divisória definida no passado não respeitou corretamente os marcos naturais previstos em tratados bilaterais, o que justificaria uma revisão da fronteira.
O tema voltou ao centro do debate após a implantação do Parque Eólico Coxilha Negra, projeto de grande porte instalado na região e desenvolvido pela Eletrobras.
A iniciativa, voltada à geração de energia renovável em larga escala, elevou o valor estratégico da área e levou o Uruguai a formalizar, em junho de 2025, uma nova manifestação oficial pedindo a reavaliação do limite territorial.
O Brasil, por sua vez, reafirma que a área integra legalmente o território nacional e rejeita qualquer possibilidade de alteração.
Disputa entre Brasil e Uruguai é histórica
As origens da controvérsia remontam ao século XIX. Em 1851, os dois países firmaram um tratado para definir suas fronteiras após a independência uruguaia, ocorrida em 1828.
A demarcação seguiu critérios geográficos da época, mas, décadas depois, passou a ser questionada.
Em 1934, o capitão uruguaio Villa Seré apontou supostos erros na interpretação dos marcos naturais utilizados na definição da linha divisória, argumento que passou a embasar a reivindicação uruguaia.
Desde então, o tema surge de forma intermitente nas relações bilaterais, sem avanços práticos. Em 1985, a construção da Vila Thomaz Albornoz, pelo lado brasileiro, consolidou a ocupação da área e gerou novo desconforto diplomático.
Ainda assim, a convivência cotidiana entre os dois países na região de fronteira seguiu marcada por integração econômica e social.
Apesar do clima amistoso entre os dois países, o impasse permanece sem solução definitiva.
O Itamaraty afirma que o diálogo será conduzido por vias diplomáticas, enquanto a área segue sob administração brasileira e com atividades econômicas em pleno funcionamento.






