O lago Rotomairewhenua, localizado no Parque Nacional de Nelson Lakes, na Ilha do Sul da Nova Zelândia, é reverenciado pelos Ngāti Apa como “o lago de terras pacíficas” e considerado um local sagrado. Tradicionalmente, suas águas eram utilizadas em rituais destinados a garantir que os espíritos realizassem sua passagem segura até a terra ancestral.
Rodeado por encostas de florestas alpinas, o lago se destaca por sua tonalidade azul-violeta intensa e pela pureza notável de sua água doce. Estudos realizados há cerca de dez anos confirmaram que sua visibilidade, entre 70 e 80 metros, é a maior já registrada em águas doces, tornando o lago visualmente único e excepcionalmente transparente.
Lago sagrado
O destaque da transparência do lago transformou-o em destino turístico popular, especialmente entre dezembro e março, atraindo visitantes para uma área antes pouco frequentada. Esse aumento trouxe desafios ambientais e culturais, incluindo o risco da lindavia, alga microscópica invasora da América do Norte, que produz substância viscosa capaz de comprometer a clareza da água e afetar o ecossistema. A alga é transportada principalmente por calçados, garrafas ou equipamentos dos turistas.
Para proteger o lago e seu entorno, o Departamento de Conservação da Nova Zelândia e lideranças Māori implementaram medidas de biossegurança: visitantes devem higienizar calçados e equipamentos nas estações ao longo das trilhas e é proibido tocar na água — seja nadando, lavando objetos ou mergulhando câmeras — em respeito ao caráter tapu, sagrado, do local.
Preservação
Durante o verão, guardas florestais permanecem na área para informar os visitantes sobre o valor ecológico e espiritual do lago. O aumento da popularidade trouxe também desafios logísticos, como a necessidade de manter a infraestrutura no interior do parque, ocasionalmente com o uso de helicópteros.
Além disso, há um esforço contínuo para conscientizar os turistas sobre a importância de reduzir seu impacto ambiental. A conservação de Rotomairewhenua depende do equilíbrio entre o acesso público, a proteção do ecossistema e o respeito à tradição cultural que torna o lago único.






