O Projeto MARS-5, conduzido por uma ONG com sede em Ulaanbaatar, na Mongólia, tem como objetivo desenvolver uma estação que simula a superfície de Marte no deserto de Gobi, preparando cientistas, astronautas e turistas para futuras missões ao planeta vermelho. A iniciativa une pesquisa científica e turismo imersivo, oferecendo aos participantes a experiência de enfrentar condições extremas de isolamento, relevo e temperatura semelhantes às encontradas em Marte.
O deserto de Gobi se destaca por características que o tornam ideal para essa simulação: o solo avermelhado, resultado do óxido de ferro, as variações térmicas que podem oscilar entre -40°C e 45°C e o isolamento intenso reproduzem, em grande parte, o ambiente hostil do planeta vermelho.
Turismo em ‘Marte’
O isolamento, a altitude e a aridez do deserto de Gobi oferecem um ambiente ideal para testar equipamentos e treinar adaptação psicológica. Os participantes passam por três meses de treinamento virtual sobre protocolos de oxigênio, psicologia do isolamento e sobrevivência, seguidos de exercícios presenciais em Ulaanbaatar antes de percorrerem dez horas até o acampamento.
No local, a comunicação com a “Terra” simula atrasos interplanetários, e os participantes vivem em cápsulas modulares com alojamento, laboratório e estufa. A rotina diária inclui meditação, exercícios, refeições liofilizadas e briefings, enquanto atividades como coleta de solo e mapeamento geológico reproduzem desafios marcianos. O design das cúpulas é inspirado nas tradicionais yurts mongóis.
Custo da experiência
Realizada entre outubro e março, a experiência do MARS-5 oferece uma alternativa mais acessível ao turismo espacial, com custo aproximado de US$ 6.000 por pessoa ao mês. A previsão é que os habitats estejam abertos ao público dentro de dois a três anos, permitindo que os participantes vivenciem condições extremas de forma segura e controlada.
Além de reproduzir desafios semelhantes aos enfrentados por astronautas, a experiência estimula reflexões sobre a adaptação humana a ambientes inóspitos e sobre a possibilidade de vida multiplanetária, oferecendo uma oportunidade única de compreender melhor os limites físicos e psicológicos do ser humano em contextos extremos.





