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Praia brasileira virou um ‘cemitério’ com lixo asiático; entenda

Por Yasmin Henrique
05/02/2025
Em Mais Tendências, Colunas
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Praia brasileira virou um 'cemitério' com lixo asiático; entenda

Praia cheia de lixo (Foto: reprodução/Aldward Castillo/Unsplash)

A praia do Segredo, localizada em Natal, Rio Grande do Norte, famosa por sua beleza intocada e afastada, revela um sério problema ambiental. Em uma caminhada realizada em dezembro, a equipe da BBC News Brasil encontrou várias embalagens de produtos originários de países asiáticos, como China, Indonésia, Malásia e Coreia do Sul, espalhadas pela areia.

Entre os objetos encontrados, estavam garrafas de bebidas não alcoólicas, produtos de limpeza e frascos de óleo de motor. Muitas dessas embalagens estavam em bom estado, com rótulos em caracteres asiáticos, indicando que a maior parte do lixo era proveniente da Ásia, embora também tenham sido encontrados produtos fabricados no Brasil, nos Estados Unidos e em alguns países africanos.

Lixo asiático

A razão para o acúmulo de lixo asiático nas praias brasileiras está na grande movimentação de navios entre o Brasil e a Ásia. De acordo com Alexander Turra, professor do Instituto Oceanográfico da USP e especialista em poluição marinha, é provável que os resíduos sejam descartados por embarcações que transportam mercadorias entre os dois continentes.

Para cortar custos com a remoção de resíduos, muitos navios recorrem ao descarte no mar, especialmente aqueles que não fazem a separação adequada dos materiais. Esse material é descartado próximo aos portos de origem e, com o auxílio das correntes marítimas, acaba chegando às praias brasileiras, principalmente nas mais isoladas e menos visitadas.

Descarte inadequado nas praias

O descarte irresponsável de lixo no mar gera diversos impactos prejudiciais, incluindo a degradação do turismo e sérios danos à fauna marinha, com animais correndo o risco de asfixia ou morte ao ingerirem ou se enredarem em resíduos. Além disso, os detritos plásticos causam danos aos motores e sistemas de navegação.

Ingrid Zanella, professora de direito marítimo da UFPE, destaca que a poluição nos mares deve ser uma prioridade para as autoridades brasileiras. Ela propõe um reforço na fiscalização do Ibama e da Marinha, juntamente com punições mais severas para os infratores. A professora também aponta que, apesar da questão ser global, o Brasil ainda não dedica a atenção necessária ao problema.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Yasmin Henrique

Yasmin Henrique

Jornalismo na federal de Alagoas. Paulista de nascença, moro há mais de uma década no estado nordestino. Desde pequena fascinada pelo mundo da leitura e da escrita.

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