Uma descoberta recente revelou um comportamento inesperado de abelhas do passado: elas usavam restos fossilizados de animais como abrigo para construir ninhos e depositar seus ovos.
A evidência veio de uma caverna de calcário localizada na ilha de Hispaniola, no Caribe, onde pesquisadores identificaram estruturas de nidificação preservadas dentro de dentes fossilizados, alguns pertencentes a espécies já extintas.
Os achados têm cerca de 20 mil anos e oferecem uma nova perspectiva sobre a capacidade de adaptação desses insetos.
Ninhos de abelhas eram criados com fósseis de animais
O estudo foi conduzido por cientistas liderados pelo pesquisador Lázaro Viñola-López, do Field Museum of Natural History, em Chicago, e publicado na revista Royal Society Open Science.
Durante uma expedição realizada em 2022, o grupo investigava depósitos fósseis na caverna quando notou algo incomum no interior de ossos e mandíbulas preservadas.
Pequenas cavidades preenchidas com sedimentos apresentavam uma organização que não correspondia a processos naturais aleatórios.
Análises mais detalhadas, incluindo exames por tomografia computadorizada, mostraram que aquelas estruturas eram, na verdade, células de nidificação feitas por abelhas.
Diferentemente dos ninhos de vespas, que costumam ter paredes irregulares formadas por fibras vegetais mastigadas, as cavidades encontradas eram lisas e revestidas internamente, característica típica de ninhos de abelhas que utilizam lama compactada e secreções cerosas.
A caverna onde os fósseis foram encontrados funcionou, ao longo de milhares de anos, como abrigo para diversas espécies. Evidências indicam que corujas usavam o local para se alimentar, regurgitando ossos de suas presas, o que contribuiu para o acúmulo e posterior fossilização do material.
Com o tempo, as cavidades naturais desses ossos passaram a ser reutilizadas por gerações sucessivas de abelhas, formando ninhos comunais dentro dos dentes.
Descoberta ajuda a entender registro fóssil das abelhas
Embora nenhum corpo de abelha tenha sido preservado, os pesquisadores conseguiram identificar os ninhos como fósseis de traço, registros indiretos da atividade animal.
Essas estruturas receberam o nome científico Osnidum almontei, em homenagem ao pesquisador que primeiro documentou a caverna.
A importância da descoberta vai além da curiosidade. Ela preenche uma lacuna no registro fóssil das abelhas no Caribe, até então conhecido quase exclusivamente por exemplares preservados em âmbar, muito mais antigos.
Além disso, o achado mostra que comportamentos hoje considerados improváveis, como nidificar em cavernas e usar ossos como abrigo, já fizeram parte da história evolutiva desses insetos.
Para os cientistas, o caso reforça a ideia de que a diversidade de estratégias das abelhas é maior do que se imaginava e que ainda há muito a aprender a partir de vestígios aparentemente discretos do passado.





