O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) comentou nesta quinta-feira (18) sobre as investigações que apuram um esquema de fraudes em aposentadorias e pensões do INSS.
Durante um café da manhã com jornalistas no Palácio do Planalto, Lula destacou que nenhuma pessoa estará acima da lei, incluindo membros de sua família. O presidente enfatizou que todos os envolvidos serão investigados e, se comprovada a participação, punidos.
“Ninguém ficará livre. Se tiver filho meu envolvido nisso, ele será investigado”, afirmou.
Nova fase da Operação Sem Desconto
A Polícia Federal realizou nesta quinta-feira mais uma fase da Operação Sem Desconto, que investiga desvios ilegais de benefícios do INSS. A medida foi autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), que retirou o sigilo da decisão. N
a decisão, a PF identificou cinco repasses de R$ 300 mil cada, totalizando R$ 1,5 milhão, da empresa Brasília Consultoria Empresarial S/A, ligada ao “Careca do INSS”, para a RL Consultoria e Intermediações Ltda., de Roberta Moreira Luchsinger.
Mensagens trocadas entre os investigados mencionam um repasse destinado a “o filho do rapaz”, sem esclarecer a identidade da pessoa citada.
Prisões e medidas cautelares
Nesta fase da operação, a Polícia Federal cumpriu 16 mandados de prisão preventiva e 52 mandados de busca e apreensão em diversos estados, incluindo São Paulo, Paraíba, Rio Grande do Norte, Pernambuco, Minas Gerais, Maranhão e no Distrito Federal.
Entre os presos estão Romeu Carvalho Antunes, filho do “Careca do INSS”, e Eric Fidélis, filho do ex-diretor de Benefícios do INSS, André Fidelis. Adroaldo Portal, ex-secretário-executivo do Ministério da Previdência, teve prisão domiciliar decretada.
A operação também envolveu medidas contra o senador Weverton Rocha (PDT-MA), considerado “sustentáculo político” do esquema, que teve sua residência alvo de busca e apreensão, mas não foi preso.
Funcionamento do esquema de fraude
As investigações revelaram que o esquema atuou entre 2019 e 2024, afetando aposentados e pensionistas do INSS em todo o país. Os suspeitos cobravam mensalidades de associações de aposentados sem autorização das vítimas, retirando valores de forma irregular.
As associações alegavam oferecer serviços como assistência jurídica, descontos em academias e planos de saúde, mas na prática não possuíam estrutura e serviam apenas para desviar recursos. Ao todo, 11 entidades foram alvo de medidas judiciais, e os contratos de aposentados e pensionistas foram suspensos.
Impactos políticos e administrativos
O escândalo provocou repercussões diretas na gestão da Previdência. O ex-ministro Carlos Lupi (PDT) pediu demissão em meio à crise desencadeada pelas investigações, sendo substituído pelo então secretário-executivo Wolney Queiroz.
O caso evidencia a necessidade de rigor e transparência nas apurações, reforçando que a lei deve ser aplicada de forma igualitária, independentemente de status político ou familiar.
A declaração de Lula reforça o compromisso com a justiça, deixando claro que ninguém estará acima da lei e que todos os suspeitos serão submetidos às medidas legais cabíveis.






