Durante anos, Bélgica e França vêm protagonizando uma disputa acirrada sobre a autoria da invenção da batata frita, com a ausência de um consenso histórico contribuindo para a continuidade do embate.
Todavia, o conflito acabou se tornando um “trielo” depois que o Chile também passou a reivindicar a invenção do prato no final do ano passado, chegando até mesmo a apresentar registros que supostamente comprovam a alegação.
Conforme divulgado pelo jornal O Globo, nas páginas do livro Cautiverio feliz (“Cativeiro feliz”, em português), escrito em 1677 pelo soldado espanhol Francisco Núñez de Pineda, que recentemente foi traduzido por especialistas da Universidade do Chile, é possível encontrar uma referência ainda mais antiga às batatas fritas.
Isso porque, no material, o soldado relata que, após ser capturado pelos Mapuche e libertado em 1629, houve a realização de um grande banquete no Forte Nacimiento, estrutura defensiva do Império Espanhol localizada na região de Bío-Bío, no Chile.
E foi justamente durante esta celebração que as batatas fritas (“papas fritas”, no idioma original) teriam sido preparadas junto de outras iguarias. Com isso, a narrativa europeia passou a ser questionada.
Chilenos criaram a receita, mas não o corte da batata frita
É importante destacar que, segundo os próprios pesquisadores chilenos que defendem a tese de que o país teria criado a batata frita, a reivindicação diz respeito à origem da receita, e não ao corte tradicional pelo qual o alimento é conhecido.
Ainda no ano passado, foi revelada a existência de documentos coloniais que mencionam fatias ou cubos de batata fritos em gordura por povos Mapuche, o que configuraria a versão mais antiga da receita já registrada.
Já o tradicional corte em tiras permanece como um dos principais pontos de disputa entre os países europeus, uma vez que a Bélgica sustenta que moradores locais já utilizavam esse formato no final do século XVII, enquanto a França afirma que a batata frita era vendida nas ruas de Paris em meados de 1780.






