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Pagamento em supermercados começa a ter possibilidade de parcelamento

Por Jeferson da Rosa
16/12/2025
Em Mais Tendências, Colunas
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Pagamento em supermercados começa a ter possibilidade de parcelamento - Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Pagamento em supermercados começa a ter possibilidade de parcelamento - Imagem: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Nos últimos tempos, um movimento crescente tem ganhado espaço nas redes de supermercados do Brasil: o parcelamento das compras de alimentos.

Inicialmente restrito a produtos de bazar ou eletrodomésticos, ou a compras com valores muito altos, essa prática começa a se expandir para o setor de alimentos, o que vem gerando preocupações sobre o impacto que essa mudança pode ter na saúde financeira das famílias brasileiras.

O aumento da possibilidade de compras parceladas reflete a dificuldade crescente das famílias em equilibrar as contas, apesar de um crescimento nos rendimentos em termos absolutos.

Pagamento em supermercados começa a ter possibilidade de parcelamento

No estado do Rio Grande do Sul, por exemplo, a Associação Gaúcha de Supermercados (AGAS) confirmou que mais redes começaram a permitir o parcelamento de alimentos.

Lindonor Peruzzo Junior, presidente da associação, relatou ao jornal Zero Hora que esse movimento reflete uma necessidade das famílias, que, diante de um cenário de endividamento crescente, buscam alternativas para conseguir suprir as necessidades básicas.

O parcelamento, antes uma opção limitada e excepcional, agora surge como uma alternativa cada vez mais frequente, com supermercados oferecendo essa condição de pagamento, principalmente em momentos de maior dificuldade financeira.

Esse fenômeno não é restrito ao Rio Grande do Sul, mas sim uma tendência crescente em diversas partes do Brasil.

Aumento de parcelamento em supermercados ocorre mesmo com melhora na renda dos brasileiros, e após gastos com bets

Embora as razões para esse aumento nas ofertas de parcelamento possam ser atribuídas a um cenário econômico desafiador, é importante destacar que o problema não está diretamente relacionado a uma recessão ou crise no país, mas sim a uma mudança mais preocupante nos hábitos de consumo dos brasileiros.

Ao contrário das crises passadas, quando o endividamento das famílias era causado por uma combinação de baixa renda e inflação, o cenário atual reflete um comportamento diferente, impulsionado por novas formas de gasto que afetam o orçamento familiar de maneira mais imprevisível.

A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), do IBGE, mostra que a massa de salários em circulação atingiu um novo recorde no terceiro trimestre de 2025, com R$ 354,5 bilhões.

Esse crescimento no rendimento médio dos trabalhadores, que alcançou R$ 3.507, reflete uma economia com maior poder aquisitivo em termos nominais. Já a inflação, apesar de alta, está dentro da meta do Ministério da Fazenda.

No entanto, uma parte significativa da renda das famílias não está sendo destinada ao consumo de produtos essenciais, mas sim a apostas, especialmente as apostas online, que vêm se expandindo a passos largos.

Gastos com bets só aumentam e prejudicam diretamente o orçamento das famílias e gastos no varejo

Em 2024, o mercado de apostas movimentou cerca de R$ 240 bilhões, um valor que corresponde a quase 1% do PIB brasileiro.

Esse volume de dinheiro, embora impressionante, não gera o mesmo impacto econômico que os gastos tradicionais, como os destinados ao consumo de bens e serviços.

Pelo contrário, esse dinheiro, frequentemente direcionado para plataformas internacionais, reduz o fluxo de caixa do comércio local e afeta diretamente as vendas, inclusive em supermercados.

Muitas famílias, atraídas pela promessa de ganhos rápidos, têm direcionado uma parte significativa de sua renda para as apostas, deixando de lado o consumo em estabelecimentos tradicionais.

Isso tem forçado os supermercados a oferecer parcelamentos como forma de ajudar essas famílias a manterem seus gastos com alimentos, enquanto lutam para equilibrar os orçamentos comprometidos.

Esse comportamento impulsivo e muitas vezes descontrolado coloca as finanças familiares em risco. Ao parcelar as compras de alimentos, as famílias podem acabar acumulando dívidas, o que resulta em uma bola de neve financeira.

E o problema é ainda mais grave porque, ao contrário do que ocorre com outros bens de consumo, como eletrônicos ou roupas, as compras de alimentos são recorrentes e necessárias todos os meses.

Dessa forma, o parcelamento das compras alimentícias pode se tornar uma armadilha, perpetuando o ciclo de endividamento.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Jeferson da Rosa

Jeferson da Rosa

Jornalista apaixonado pela profissão.

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