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Nubank vai mudar após termo ser proibido pelo Banco Central

Por Leticia Florenço
17/12/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Nubank - Foto: (Imagem/Google Imagens)

Nubank - Foto: (Imagem/Google Imagens)

Uma nova norma do Banco Central mudou de forma significativa o jogo para fintechs no Brasil.

A partir da resolução publicada em conjunto com o Conselho Monetário Nacional, instituições que não possuem licença bancária passam a ser proibidas de utilizar os termos “banco” ou “bank” em sua comunicação, marca e domínio.

O Nubank, apesar do nome e da percepção popular, ainda opera formalmente como instituição de pagamento e sociedade de crédito, o que tornou inevitável uma decisão estratégica: adequar a marca ou, de fato, tornar-se um banco.

Por que o Nubank nunca foi banco, apesar do nome

Regulatoriamente, o Nubank sempre esteve enquadrado como fintech, com licenças que permitem oferecer conta digital, cartão, Pix e crédito com recursos próprios ou de mercado.

Diferentemente de bancos tradicionais, ele não faz intermediação financeira clássica, captar depósitos para emprestar diretamente, algo reservado apenas a instituições com licença bancária. Essa distinção técnica, muitas vezes ignorada pelo público, foi um dos principais alvos da nova regulamentação.

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A decisão de buscar a licença bancária

Diante da proibição do uso do termo “banco”, o Nubank anunciou que trabalha para obter a licença bancária no Brasil. A empresa afirma que a mudança não impactará os serviços já existentes, mas abrirá caminho para ampliar o escopo de atuação.

Há dois caminhos possíveis: solicitar a licença diretamente ao Banco Central ou adquirir uma instituição já autorizada, incorporando-a ao conglomerado. A escolha ainda não foi definida.

Custos maiores, mas um impacto controlado

Tornar-se banco implica uma estrutura mais cara, principalmente em governança, compliance e controles internos. No entanto, analistas avaliam que o Nubank já opera com padrões muito próximos aos exigidos para bancos tradicionais.

Com mais de 100 milhões de clientes e uma estrutura robusta, a fintech não precisará “começar do zero”, o que reduz o impacto financeiro da transição.

Mudança pesada na carga tributária

O principal impacto prático estará nos impostos. A Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobe de 9% para 20% quando a instituição se torna banco.

Além disso, o PIS/Cofins passa a ter menos flexibilidade, com recolhimento obrigatório no regime cumulativo. Na prática, o Nubank se aproxima da carga tributária dos grandes bancos, que pode chegar a cerca de 45% sobre o lucro.

O debate com os bancos e a Febraban

A questão tributária já vinha gerando atritos entre o Nubank e a Febraban. Enquanto o CEO David Vélez afirma que o roxinho paga proporcionalmente mais impostos e aumenta a concorrência, a entidade dos bancos rebate dizendo que há vantagem competitiva e riscos ao consumidor.

A nova norma do BC foi vista pela Febraban como uma decisão acertada para garantir transparência e segurança ao sistema financeiro.

Mais liberdade para atuar como banco de fato

Com a licença, o Nubank poderá fazer intermediação financeira clássica, captando recursos e emprestando diretamente, algo que hoje não é permitido. Isso abre espaço para novos produtos, como linhas de crédito mais diversificadas e modelos de financiamento que hoje ficam concentrados nos bancos tradicionais.

Virar banco também significa cumprir exigências mais rígidas de capital mínimo, patrimônio de referência e gestão de riscos, conforme os Princípios de Basileia.

Além disso, haverá obrigação de recolhimento compulsório ao Banco Central e aplicação de parte dos recursos captados em áreas específicas, como crédito imobiliário e microcrédito.

Serviços essenciais gratuitos ao consumidor

Ao se tornar banco, o Nubank terá que oferecer o pacote de serviços essenciais previsto pelo CMN, sem cobrança de tarifas para pessoas físicas. Isso inclui cartão de débito, saques mensais, transferências internas, extratos e consultas ilimitadas pela internet, reforçando a proteção ao consumidor.

Embora os custos aumentem, especialistas acreditam que poucas fintechs seguirão o mesmo caminho, justamente pela complexidade e pelo peso regulatório.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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