Nos últimos meses, vídeos de influenciadores dormindo com a boca fechada por fitas adesivas ganharam destaque no TikTok. Conhecida como mouth taping, a prática promete melhorar o sono e oferecer benefícios estéticos, sendo difundida como um hábito simples de autocuidado, apesar da adoção ocorrer, em muitos casos, sem avaliação de sua eficácia ou segurança.
Uma revisão científica publicada no American Journal of Otolaryngology questiona essas promessas ao indicar que a popularização do mouth taping decorre principalmente de conteúdos virais e relatos pessoais, e não de evidências médicas consistentes, evidenciando os riscos da adesão a tendências de bem-estar guiadas pela estética.
Fechar a boca para dormir
A revisão analisou 177 estudos sobre o tema, mas apenas nove abordavam diretamente os efeitos do tampar a boca durante o sono, mostrando a escassez de pesquisas sobre uma prática amplamente divulgada nas redes sociais. Os autores também avaliaram os 50 vídeos mais populares no TikTok para entender os motivos da rápida disseminação, concluindo que o apelo estético e a cultura digital de soluções rápidas foram fatores determinantes para a viralização.
Nos conteúdos, o mouth taping é associado a benefícios como melhora do sono, redução do ronco, prevenção de problemas bucais, aumento de energia, aprimoramento da pele, definição da mandíbula e otimização da respiração. Contudo, a literatura científica não confirma a maior parte dessas alegações. Não há evidências de efeitos estéticos, de saúde bucal, nem de impactos positivos no humor, na imunidade ou na disposição física.
Riscos da prática
Os estudos existentes indicam benefícios apenas em casos muito específicos, como apneia leve ou para pessoas que respiram predominantemente pela boca, resultados que não podem ser generalizados. Além disso, os riscos da prática raramente são mencionados nos vídeos, sendo que apenas uma pequena parcela aborda possíveis efeitos adversos.
O mouth taping pode apresentar riscos para pessoas com distúrbios respiratórios, alergias, sinusite, asma ou dificuldade nasal, causando sufocamento, queda de oxigenação, irritação na pele e piora de problemas respiratórios. A revisão científica conclui que as evidências são limitadas e insuficientes para recomendar a prática, reforçando a necessidade de estudos mais rigorosos antes de qualquer indicação.





