Um estudo divulgado em novembro de 2025 na revista Aging Cell, conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina Chobanian & Avedisian da Universidade de Boston, Estados Unidos, apresenta evidências de que a redução prolongada da ingestão calórica pode influenciar o envelhecimento cerebral em primatas não humanos.
A pesquisa analisou macacos rhesus (Macaca mulatta) que seguiram uma dieta com cerca de 30% menos calorias ao longo de mais de 20 anos, comparados a um grupo controle que recebeu alimentação balanceada sem restrição calórica.
Cortar calorias a longo prazo
O estudo investigou se a redução calórica, conhecida por retardar o envelhecimento em animais de vida curta, também protege células cerebrais de primatas com metabolismo próximo ao humano. Pesquisas anteriores com macacos rhesus mostraram benefícios metabólicos e cardiovasculares, embora os efeitos sobre longevidade tenham sido divergentes.
Para investigar os efeitos da restrição calórica no envelhecimento cerebral, os pesquisadores aplicaram sequenciamento de RNA de núcleo único, permitindo analisar a expressão gênica em células individuais de tecido pós-morte.
Principais achados
- Alterações moleculares em células gliais, incluindo:
- Oligodendrócitos: responsáveis pela síntese e manutenção da mielina.
- Microglia: fundamental para a homeostase e resposta imune do cérebro.
- Apesar da proporção de células gliais permanecer semelhante entre os grupos, a dieta hipocalórica induziu reprogramação transcricional:
- Aumento da expressão de genes ligados à síntese e manutenção da mielina.
- Maior atividade em vias metabólicas essenciais, como glicólise e biossíntese de ácidos graxos.
- Subpopulações de oligodendrócitos mostraram maior expressão de genes de adesão celular, indicando interações mais eficazes com axônios.
- Células microgliais exibiram alterações no metabolismo de aminoácidos e peptídeos, sugerindo menor degradação da substância branca.
Os resultados reforçam evidências anteriores de efeitos neuroprotetores da restrição calórica, incluindo redução do dano oxidativo e modulação inflamatória no cérebro envelhecido. Os achados sugerem que a redução prolongada de calorias promove mudanças moleculares nas células cerebrais, preservando a mielina e a função glial, e potencialmente retardando o envelhecimento cognitivo em primatas com fisiologia próxima à humana.






