Compras e descontos em troca de trabalho de graça são a proposta de um novo supermercado que acaba de abrir as portas no país.
A ideia, que já funciona há décadas em cidades dos Estados Unidos e da Europa, chega agora a São Paulo com a promessa de reduzir preços ao envolver o próprio consumidor na rotina da loja.
Trabalho de graça é oferecido por supermercado que acaba de chegar no Brasil
A iniciativa é da Gomo Coop, instalada na região da República, no centro da capital. A operação deve começar a funcionar ainda no início do ano de 2026 em um galpão reformado.
O público poderá circular normalmente pelos corredores nos primeiros meses, mas a cooperativa pretende, mais adiante, reservar o acesso apenas aos participantes cadastrados, caso o número de adesões cresça como esperado.
O modelo é simples: quem quiser aproveitar os valores mais baixos precisa se tornar cooperado. Isso exige a compra de uma cota de R$ 100 e o compromisso de atuar por três horas a cada quatro semanas em alguma das tarefas do mercado.
As funções variam entre organização de prateleiras, reposição de estoque, operação de caixa e até atividades administrativas.
A escala é definida conforme o interesse dos inscritos, e a empresa afirma que não é necessário ter experiência prévia para participar.
Cooperados serão donos e usuários do supermercado
A Gomo segue o padrão conhecido como Food Coop. O formato ganhou fama com a Park Slope Food Coop, criada no Brooklyn há mais de cinquenta anos, e inspirou projetos parecidos em Paris, Berlim e outras capitais.
A diferença está na lógica de funcionamento. Em vez de formar uma relação de emprego, o cooperado se torna dono e usuário da própria estrutura.
O trabalho voluntário diminui custos operacionais, o que permite reduzir o preço de produtos orgânicos, frescos e agroecológicos vendidos no supermercado, historicamente mais caros no Brasil.
Mesmo com a participação coletiva, a cooperativa mantém poucos funcionários contratados, o que reforça a ideia de que a operação depende diretamente do envolvimento dos membros.
O supermercado também pretende ampliar o espaço para itens vindos de agricultura familiar e incluir alimentos que geralmente não aparecem em grandes redes, como frutas e legumes com pequenas imperfeições visuais.
A legislação brasileira reconhece o formato cooperativo, desde que não exista subordinação, pagamento de salário ou obrigação de consumo.
Especialistas afirmam que, se todas as regras forem respeitadas, não há violação trabalhista. Críticos, porém, questionam a viabilidade do negócio e o impacto sobre concorrentes.
A Gomo diz que seguirá ajustando o regulamento interno para garantir transparência e manter o modelo de pé no longo prazo.





