Um levantamento recente indica que mais da metade dos trabalhadores brasileiros enfrenta dificuldade para manter limites claros entre o que é vida doméstica e o que é rotina de trabalho.
O dado, que reforça um problema que se intensificou nos últimos anos, aponta que a sensação de estar sempre disponível continua presente mesmo após o retorno às atividades presenciais em muitas empresas.
Mais da metade dos trabalhadores não conseguem conciliar casa e trabalho
A conclusão vem de um estudo conduzido pela healthtech Starbem, que analisou respostas de 5,9 mil funcionários distribuídos em 89 organizações de diversos segmentos e portes.
Embora o percentual varie conforme o tamanho das companhias, o cenário geral é semelhante: a dificuldade de separar trabalho e família aparece como o fator que mais ameaça o bem-estar emocional dos entrevistados.
Nas empresas com equipes maiores, acima de 250 pessoas, seis em cada dez profissionais relatam problemas nessa divisão. Em negócios de porte médio, o índice sobe para mais de 70%. Já entre pequenas empresas, a taxa passa de 67%.
Mesmo com essas diferenças, o estudo aponta que o porte não altera a presença do problema. A sensação de estar permanentemente ligado ao trabalho se espalha por todos os perfis de organização.
Os pesquisadores destacam que parte dessa dificuldade tem raízes no período da pandemia de covid-19.
Segundo Renato Barbosa, diretor de produto e tecnologia da Starbem, muitos hábitos criados na época, como responder mensagens fora do horário, usar o celular como extensão do expediente e se manter disponível a qualquer momento, se tornaram práticas permanentes.
Ele afirma que o volume de tarefas, por si só, não aparece como a principal queixa dos entrevistados. O desgaste nasce do fato de que o desligamento completo passou a ser raro.
Dificuldade para conciliar casa e trabalho aparece em diferentes intensidades
O estudo também identifica falhas no suporte oferecido pelas lideranças das empresas. A percepção de falta de preparo de gestores é apontada como o segundo maior fator de risco para a saúde mental.
O problema aparece em diferentes intensidades conforme o porte das companhias, mas mantém padrão elevado em todas.
Para especialistas envolvidos na pesquisa, o desafio exige ações coordenadas.
Entre as medidas sugeridas estão programas de capacitação de líderes, canais permanentes para que os funcionários possam relatar dificuldades e políticas claras de incentivo à desconexão após o horário de trabalho.
A avaliação é que, sem intervenções diretas, os quadros de adoecimento tendem a aumentar e reforçar um ciclo de exaustão que já se tornou comum em grande parte do mercado de trabalho.






