O Brasil registra um avanço contínuo do analfabetismo físico entre crianças e adolescentes. Segundo a PeNSE, apenas 36% dos jovens de 13 a 17 anos cumprem os 60 minutos diários de atividade recomendados, enquanto 55% passam mais de três horas por dia em telas — hábito intensificado após a pandemia. Essa combinação de pouca movimentação e longos períodos sentados já gera impactos importantes.
Pesquisas mostram que a obesidade precoce reduz a expectativa de vida e que fatores ambientais, como o sedentarismo, estão diretamente associados à perda de força e de habilidades motoras desde cedo, tendência que preocupa especialistas.
Entre as causas estão a falta de espaços seguros, a rotina escolar intensa, áreas urbanas pouco acolhedoras para brincadeiras e a substituição do brincar ao ar livre por atividades digitais. Com menos oportunidades de movimento, muitas crianças deixam de desenvolver habilidades básicas, o que aumenta a insegurança para atividades simples e reforça o ciclo do sedentarismo.
Combate ao analfabetismo físico
Para enfrentar o avanço do analfabetismo físico infantil, especialistas apontam a necessidade de ações integradas que envolvam famílias, escolas e políticas públicas:
1. No ambiente escolar
- Implementar aulas de educação física que valorizem diferentes formas de movimento.
- Estimular a participação de todos os estudantes, com atividades inclusivas.
- Inserir práticas lúdicas que contribuam para o desenvolvimento de habilidades motoras.
- Adaptação por faixa etária: brincadeiras coletivas para crianças; práticas que desafiem força, coordenação e estratégia para adolescentes.
2. No espaço urbano
- Expandir áreas verdes e espaços públicos destinados ao lazer e às atividades físicas.
- Melhorar a segurança urbana para estimular o uso de praças, parques e calçadas.
- Investir em ciclovias e áreas de convivência que favoreçam o deslocamento ativo.
- Criar ambientes urbanos que incentivem hábitos de movimento desde a infância.
3. No cotidiano familiar
- Incorporar pequenas caminhadas e deslocamentos a pé na rotina diária.
- Incentivar atividades ao ar livre sempre que possível.
- Reduzir o tempo de uso de telas e substituir parte desse período por brincadeiras ativas.
- Oferecer opções simples de movimento, como correr, pular, agachar, dançar e jogar.
- Promover jogos e brincadeiras que exigem esforço físico para fortalecer o desenvolvimento motor.





