O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o IBGE, divulgou nesta semana um panorama que reforça a relevância dos programas sociais no país. Entre 2023 e 2024, segundo o órgão, o Brasil registrou avanços consistentes no enfrentamento da pobreza.
A combinação entre benefícios de transferência de renda, como o Bolsa Família, e a recuperação do mercado de trabalho contribuiu para reduzir o número de pessoas vivendo em situação de vulnerabilidade.
Os dados mostram que, sem esse conjunto de políticas públicas, o país poderia ter até três vezes mais moradores em extrema pobreza.
IBGE afirma que Brasil poderia ter o triplo de pobreza sem benefícios sociais
O levantamento revela que a proporção de brasileiros com renda abaixo da linha de pobreza recuou para pouco mais de 23% em 2024, resultado que representa milhões de pessoas que deixaram uma condição de carência severa neste período.
A extrema pobreza também apresentou queda, atingindo 3,5% da população. O IBGE afirma que esses números só foram possíveis porque a rede de proteção social permaneceu ativa e com valores reforçados após a pandemia.
A análise compara os indicadores reais com simulações que excluem benefícios como o Bolsa Família. Nesse cenário hipotético, o percentual de pessoas em extrema pobreza saltaria para cerca de 10%, o que anularia os avanços recentes.
A pesquisa destaca ainda que o impacto dos programas sociais não se limita à transferência direta de renda. Eles também funcionam como amortecedores em períodos de instabilidade econômica, especialmente em regiões historicamente mais vulneráveis.
O Nordeste, por exemplo, registrou a maior queda proporcional da pobreza no intervalo analisado, embora continue com índices acima da média nacional.
Norte e Nordeste seriam, segundo o estudo, as áreas mais prejudicadas caso a proteção social fosse retirada, com ampliação significativa da desigualdade medida pelo índice de Gini.
Dados do IBGE demonstram a importância de programas sociais no combate à pobreza
As estatísticas também deixam clara a persistência das desigualdades raciais e de gênero. Mulheres, pessoas pretas e pardas seguem mais expostas à falta de renda suficiente, ainda que o movimento de redução tenha alcançado todos os grupos.
Entre idosos, a previdência continua sendo a principal defesa contra a perda de renda, evitando que a pobreza exploda nessa faixa etária.
O conjunto das informações reafirma que benefícios sociais não funcionam como simples assistencialismo, mas como ferramentas de política pública capazes de reduzir desigualdades, atenuar choques econômicos e ampliar oportunidades.
Para o IBGE, sem essa estrutura o país não apenas deixaria de avançar, mas veria a pobreza crescer de forma acelerada.





