O iFood anunciou recentemente uma nova modalidade de trabalho para quem realiza entregas pelo aplicativo, mas a proposta abriu mais tensão do que entusiasmo entre os profissionais.
A empresa afirma que o modelo traz mais previsibilidade e chance de ganhos estáveis. Os entregadores afirmam o contrário. O anúncio desencadeou protestos no Rio de Janeiro e reabriu o debate sobre autonomia, renda e condições de trabalho no setor.
Nova modalidade do iFood não agrada nenhum entregador do aplicativo; entenda
A novidade se chama +Entregas. Nesse formato, o entregador precisa reservar antecipadamente um período de três horas para atuar em uma região específica da cidade. Durante esse intervalo, ele recebe um valor fixo por hora e um adicional por entrega concluída.
A empresa diz que essa organização garante prioridade na distribuição de pedidos e cria rotas mais curtas dentro dos bairros escolhidos.
O sistema, porém, estabelece limites claros. O profissional só pode cancelar ou recusar duas entregas dentro do período reservado. Caso ultrapasse esse número, perde o acesso ao bloco agendado.
Na prática, o modelo restringe a mobilidade que sempre foi apontada pelos entregadores como uma das poucas vantagens do trabalho por aplicativo.
Em vez de circular pela cidade em busca das melhores oportunidades, o trabalhador precisa permanecer na área escolhida, mesmo quando o fluxo de pedidos diminui.
Além disso, a remuneração por hora estabelecida pelo aplicativo foi apontada pelos manifestantes como insuficiente. Eles afirmam que, dependendo da região e do momento do dia, o valor final recebido pode cair para menos do que o que ganhavam antes por corrida.
Entregadores dizem que iFood está reduzindo responsabilidade sobre trabalhadores
As críticas também tocam em um ponto já conhecido na relação entre entregadores e plataformas. Muitos afirmam que o iFood, ao longo dos últimos anos, adotou modelos que reduzem sua responsabilidade direta sobre os trabalhadores.
Antes, o sistema de operadores logísticos concentrava parte do controle sobre jornadas e pagamentos em empresas terceirizadas.
Agora, o novo formato de franquias exige que o entregador abra um CNPJ e atue como microempreendedor, o que, segundo eles, exclui qualquer possibilidade de benefício previdenciário ou apoio em caso de doença ou acidente.
Entre quem protesta, o entendimento é simples. O +Entregas diminui a autonomia, aprofunda a instabilidade e amplia o risco de queda de renda. Muitos relatam jornadas longas, dores físicas acumuladas e ausência completa de proteção social.
Para esses trabalhadores, a nova proposta do iFood não aponta para melhorias. Aponta apenas para uma rotina mais rígida e ainda mais precária.





