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Estudo mostra que até uma lata de cerveja por dia pode prejudicar o fígado

Por Leticia Florenço
02/12/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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cerveja

Cerveja - Reprodução/iStock

Depois de um dia cansativo, muitos adultos têm o costume de abrir uma lata de cerveja ou servir uma taça de vinho como forma de relaxar. Esse ritual, tão presente no cotidiano, costuma ser visto como algo leve, quase terapêutico.

No entanto, pesquisas recentes mostram que o que parece um gesto simples pode esconder consequências maiores do que a maioria imagina. O consumo rotineiro, mesmo em pequenas quantidades, não passa despercebido pelo fígado e pode iniciar um processo silencioso de desgaste.

Quando o risco começa muito antes do excesso

Um estudo publicado na revista científica JAMA revelou um dado surpreendente: os danos hepáticos podem surgir com apenas 7,4 gramas de álcool por dia. Isso significa que menos de um terço de uma lata de cerveja ou meio copo de vinho já pode desencadear alterações no fígado.

A partir desse ponto, inicia-se o acúmulo de gordura nas células hepáticas, um mecanismo que parece inofensivo no início, mas que pode evoluir para inflamações e, a longo prazo, complicações graves.

Para muitos, é difícil acreditar que um consumo tão baixo já seja suficiente para causar impacto, mas a ciência mostra que o órgão é sensível e responde continuamente ao contato com substâncias tóxicas.

Entendendo como pequenas doses fazem grandes estragos

Embora o fígado seja capaz de processar o álcool, esse processo libera elementos tóxicos que lesionam as células hepáticas. Quando a ingestão acontece todos os dias, mesmo em pequenas quantidades, o órgão não tem tempo suficiente de se recuperar.

As lesões se acumulam, a gordura se deposita e o tecido saudável começa a ser substituído por áreas inflamadas. Em muitos casos, esse processo é silencioso, sem sintomas evidentes, o que facilita a progressão para quadros como esteatose hepática, inflamação crônica e até cirrose.

O estudo também reforça as diferenças importantes entre os sexos. Nos homens, os riscos aumentam quando o consumo diário chega a seis ou oito cervejas, enquanto nas mulheres os efeitos nocivos aparecem com quantidades menores, cerca de quatro ou cinco taças de vinho.

Isso acontece porque o corpo feminino possui menor quantidade de enzimas responsáveis pela metabolização do álcool, o que prolonga a presença da substância no organismo e intensifica seu impacto. Assim, a mesma dose pode causar danos muito maiores em mulheres do que em homens.

A verdade sobre o teor alcoólico das bebidas do dia a dia

Aparentemente inofensivas, uma cerveja de 355 ml ou uma taça de vinho de 150 ml geralmente contêm de 10 a 15 gramas de álcool. Em outras palavras, basta uma bebida por dia para ultrapassar o limite identificado pelo estudo como ponto inicial de risco.

Até mesmo quem se considera “moderado” pode, sem perceber, consumir mais álcool do que o fígado é capaz de lidar com segurança.

Recomendações que ajudam a preservar a saúde hepática

Os especialistas reforçam que mulheres devem limitar o consumo a uma bebida alcoólica por dia, enquanto homens podem chegar a duas. No entanto, para quem já recebeu diagnóstico de fígado gorduroso, nenhuma quantidade de álcool é considerada segura.

Nesses casos, a abstinência total é essencial para impedir o avanço da doença e permitir a regeneração do órgão. Ignorar esse cuidado pode acelerar drasticamente a evolução para quadros irreversíveis.

Embora a maioria dos danos aconteça sem sintomas claros, alguns alertas podem aparecer ao longo do tempo. Entre eles estão cansaço persistente, desconforto abdominal, alteração nas enzimas hepáticas e sensação de peso no lado direito do abdômen.

Mesmo sintomas leves devem ser investigados, já que podem indicar processos inflamatórios em curso.

Quanto menos álcool, melhor para o fígado

A conclusão dos especialistas é direta. Não existe quantidade completamente segura de álcool. Mesmo doses pequenas, se ingeridas diariamente, podem causar danos progressivos e silenciosos.

O hábito pode parecer inofensivo, mas o custo para o organismo pode ser alto. Reduzir o consumo, ou eliminá-lo, é a melhor forma de preservar a saúde hepática e garantir que o fígado continue desempenhando suas funções vitais ao longo da vida.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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