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Próxima agenda do Lula inclui decisão sobre fim da jornada de trabalho 6×1

Por Leticia Florenço
28/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Presidente Lula - Reprodução/Agência Brasil

Presidente Lula - Reprodução/Agência Brasil

O debate sobre o fim da jornada 6×1, considerada uma das formas mais desgastantes de organização laboral no Brasil, entrou oficialmente na lista de compromissos imediatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A pauta, que antes circulava em discussões técnicas, agora ganha status de prioridade na agenda social do governo e mobiliza ministérios, especialistas e movimentos sindicais.

A proposta central está ancorada na ideia de que o país precisa modernizar suas relações de trabalho, adequando direitos à realidade do século XXI, um período marcado por novas tecnologias, mudanças nas dinâmicas produtivas e maior atenção à saúde mental.

Jornada 6×1

A tradicional escala 6×1, que garante apenas um dia de descanso semanal após seis dias consecutivos de trabalho, é vista pelo governo como um mecanismo ultrapassado.

Autoridades lembram que sua origem remonta à década de 1940, quando as necessidades humanas e o ritmo produtivo eram completamente diferentes.

Além do desgaste físico e mental, estudos apresentados pelo Ministério do Trabalho mostram que essa escala contribui para o aumento de afastamentos por transtornos psicológicos, doenças ocupacionais e exaustão.

Para o presidente Lula, manter um modelo tão rígido representa ignorar avanços tecnológicos e colocar o bem-estar do trabalhador em segundo plano.

A defesa por mais tempo livre e dignidade

Lula destacou recentemente que o Brasil não pode permanecer preso a regras concebidas há mais de 80 anos. Para ele, modernizar a jornada significa devolver dignidade ao trabalhador, permitindo que as pessoas tenham tempo para descanso, convivência familiar, estudo, lazer e desenvolvimento pessoal.

O governo reforça ainda que qualidade de vida não é um luxo, mas um componente essencial para a produtividade e para a saúde pública.

Em entrevista exclusiva, o ministro Luiz Marinho reafirmou que a permanência da escala 6×1 representa um prejuízo direto ao bem-estar físico e mental da população trabalhadora.

Ao classificá-la como “a mais cruel das jornadas”, ele destacou que a sobrecarga, a ausência de convivência familiar e o impacto emocional tornam urgente a revisão desse modelo.

Além disso, Marinho lembrou que um ambiente saudável reduz afastamentos e fortalece a produtividade, argumento que se soma ao debate econômico.

Mudança sem perda salarial

Um ponto que o governo faz questão de destacar é a garantia de que a transição para uma jornada mais equilibrada não deve reduzir salários. Toda mudança será pensada para preservar a remuneração dos trabalhadores, reforçando a ideia de que modernização não pode significar prejuízo financeiro.

Ao desmontar narrativas que sugerem perda de renda, o governo procura atrair apoio popular e reduzir resistências empresariais.

Recorte de gênero

O governo também chama atenção para o efeito desigual da jornada 6×1 sobre mulheres, sobretudo mães e chefes de família. A sobrecarga profissional somada às responsabilidades domésticas intensifica o desgaste emocional e físico.

Por isso, a pauta é apresentada como uma medida que também combate desigualdades de gênero, ampliando o direito das mulheres ao descanso, ao autocuidado e ao convívio com os filhos.

A expectativa é de que o debate ganhe força no Congresso Nacional no primeiro trimestre de 2026. O próprio ministro Luiz Marinho enfatizou que mobilização social será determinante para garantir que a proposta avance.

Segundo ele, conquistas como a nova tabela do Imposto de Renda só se tornaram realidade graças ao engajamento popular. Diante de possíveis resistências, o governo espera que sindicatos, trabalhadores e movimentos sociais participem ativamente das discussões.

Outras mudanças previstas na agenda trabalhista

Além do possível fim da jornada 6×1, Lula sinalizou que pretende avançar na desoneração da Participação nos Lucros e Resultados (PLR), uma mudança considerada essencial para corrigir distorções tributárias.

A proposta busca ampliar ganhos líquidos dos trabalhadores, enquanto lucros e dividendos seguem isentos, situação que o governo considera injusta e defasada.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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