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Caverna recém-encontrada no Sudeste revela paisagem subterrânea rara

Por Leticia Florenço
01/12/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Créditos: Diego Bento

Créditos: Diego Bento

O Brasil acaba de ultrapassar um número considerado histórico na espeleologia: 30 mil cavidades naturais subterrâneas registradas oficialmente. O registro de número simbólico foi conquistado pela Gruta do Pica-Pau, localizada no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Minas Gerais.

A conquista chega justamente no ano em que o parque foi reconhecido como Patrimônio Mundial Natural pela UNESCO, destacando-o entre os ambientes subterrâneos mais valiosos do planeta.

A Gruta do Pica-Pau foi apontada como a mais significativa entre as novas cavidades identificadas na região, principalmente por suas dimensões incomuns, grande volume interno e riqueza de espeleotemas.

Ela foi cadastrada pela Ativo Ambiental como parte de estudos ligados a processos de regularização fundiária e compensação espeleológica. Para os especialistas, tratar-se de uma das cavernas mais completas e impressionantes entre as descobertas recentes no Peruaçu.

Um nome que homenageia um pesquisador apaixonado

A caverna recebeu o nome em tributo ao bioespeleólogo Felipe dos Santos Paula, conhecido como Pica-Pau, falecido em 2021.

Professor, biólogo e especialista em aracnídeos, Felipe participou de inúmeros levantamentos ambientais e se dedicou ao estudo do mundo subterrâneo brasileiro. Dar seu nome à cavidade é uma forma de reconhecer sua trajetória e manter vivo seu legado na espeleologia.

Segundo a gestão do parque, o registro da Gruta do Pica-Pau como a cavidade número 30 mil reforça a complexidade geológica da unidade de conservação. O Peruaçu se consolida, cada vez mais, como um dos maiores e mais diversos complexos de cavernas do mundo.

Além de valor científico, o feito reforça a necessidade de manter ações contínuas de preservação, manejo e pesquisa, garantindo que o patrimônio subterrâneo permaneça protegido.

O número de descobertas em 2025

Somente em 2025, quase 4 mil cavernas foram registradas no Brasil, número muito superior à média anual registrada ao longo da última década.

Esse aumento de descobertas é resultado de diferentes fatores: políticas públicas mais fortalecidas, exigências legais que aumentaram o número de cavidades registradas, maior envolvimento de instituições científicas e participação ativa de comunidades e grupos de espeleologia.

Por que as cavernas são importantes para o meio ambiente?

As cavernas desempenham funções essenciais para o equilíbrio ecológico. Elas armazenam água, protegem minerais raros e abrigam espécies exclusivas, muitas delas encontradas apenas nesses ambientes subterrâneos.

Além disso, são verdadeiros laboratórios naturais para estudos sobre mudanças climáticas, já que as formações internas guardam registros de milhares de anos sobre o comportamento do clima na Terra.

O Parque Nacional Cavernas do Peruaçu em sua grandiosidade

Criado em 1999, o Parque Cavernas do Peruaçu abrange áreas de Cerrado, Caatinga e Mata Atlântica, formando uma paisagem diversificada com matas, cânions e grandes formações rochosas.

O território reúne mais de 80 sítios arqueológicos e centenas de cavernas, algumas abertas à visitação. Pesquisadores acreditam que o local ainda possa abrigar mais de 1.400 cavidades não catalogadas, mostrando que ainda há muito a ser explorado.

Como o CANIE fortalece a proteção do patrimônio subterrâneo

O Cadastro Nacional de Informações Espeleológicas, criado para organizar e armazenar dados sobre cavernas brasileiras, se tornou uma das ferramentas mais importantes para a gestão ambiental.

Ele recebe informações de pesquisas científicas, expedições técnicas e processos de licenciamento ambiental. Esses dados alimentam análises oficiais e originam o Anuário Estatístico do Patrimônio Espeleológico, fundamental para orientar políticas públicas e estratégias de conservação.

Cada nova cavidade registrada amplia o conhecimento sobre o território brasileiro e reforça a importância de proteger esse patrimônio único. À medida que novas descobertas surgem, o Brasil reafirma seu papel como uma das nações mais ricas em ambientes subterrâneos do mundo.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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