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Estudo indica que acúmulo de gordura no fígado pode afetar funcionamento do coração

Por Leticia Florenço
23/12/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Fígado - Reprodução/iStock

A relação entre a saúde do fígado e o funcionamento do coração vem ganhando destaque entre especialistas. Um novo levantamento indica que o acúmulo de gordura hepática, além de prejudicar o desempenho do órgão, cria um ambiente inflamatório que acelera desgastes vasculares e amplia o risco de doenças cardíacas.

O fígado, ao acumular gordura em excesso, deixa de atuar plenamente em funções essenciais como o processamento de nutrientes, a regulação metabólica e a filtragem de substâncias tóxicas. Essa sobrecarga desencadeia uma inflamação contínua, silenciosa e persistente.

O corpo passa a conviver com moléculas inflamatórias circulando na corrente sanguínea, afetando não apenas o fígado, mas tecidos e sistemas distantes, especialmente o cardiovascular.

Como a inflamação hepática alcança o sistema cardiovascular

Saúde

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Os marcadores inflamatórios liberados por um fígado comprometido tornam-se agentes capazes de alterar a estrutura das artérias. Essas substâncias provocam espessamento, endurecimento e perda de elasticidade das paredes vasculares.

Com o tempo, o sangue enfrenta maior resistência para circular, o que favorece a hipertensão e acelera o desgaste das artérias que nutrem o coração e o cérebro. Assim, mesmo sem causar entupimento direto, a esteatose aumenta o risco de infarto, AVC e insuficiência cardíaca.

A gordura visceral como amplificadora dos danos

Além da gordura hepática, o acúmulo abdominal desempenha papel decisivo no agravamento do quadro. Diferente da gordura subcutânea, a visceral funciona como um tecido ativo, capaz de liberar compostos inflamatórios em grande quantidade.

Esses compostos atuam lentamente na degradação das artérias, criando condições favoráveis à formação de placas. O resultado é uma inflamação crônica de evolução lenta, que eleva o risco de eventos cardiovasculares sem gerar sintomas imediatos.

Impactos diretos nas artérias carótidas e cerebrais

Os processos inflamatórios acionados pela esteatose hepática afetam de maneira intensa as artérias carótidas, responsáveis pela irrigação sanguínea do cérebro. Com o tempo, esses vasos tornam-se mais espessos e rígidos, situação que aumenta o risco de acidente vascular cerebral.

A alteração estrutural é discreta, cumulativa e avança à medida que a gordura no fígado evolui, fortalecendo a conexão entre saúde hepática e proteção neurológica.

O papel determinante do estilo de vida na reversão

A boa notícia é que os danos provocados pela esteatose podem ser reduzidos e, muitas vezes, revertidos. Mudanças consistentes no estilo de vida favorecem o emagrecimento saudável, diminuem a inflamação sistêmica e aliviam a carga sobre o fígado.

A perda de 5% a 10% do peso corporal já produz melhora relevante na função hepática e reduz o risco cardiovascular. Atividades simples fazem diferença, como caminhar mais, trocar elevador por escadas, evitar longos períodos sentado e movimentar o corpo ao longo do dia.

Alimentação

A dieta exerce influência direta na evolução da gordura hepática. A redução do consumo de açúcares simples, o controle do álcool, a maior ingestão de vegetais, fibras e alimentos integrais e a inclusão de proteínas de boa qualidade aceleram o processo de recuperação.

Gorduras saudáveis, como as presentes no azeite, no abacate e nas oleaginosas, ajudam a modular a inflamação e proteger os vasos. Combinadas a exercícios regulares, essas escolhas formam o conjunto mais eficiente para restaurar a saúde hepática.

Ao reduzir a gordura no fígado e a gordura visceral, o corpo volta a operar em um ambiente menos inflamatório. As artérias recuperam parte da elasticidade, a pressão arterial tende a estabilizar, a circulação melhora e o risco de eventos cardiovasculares diminui.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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