Uma planta de uma espécie nativa que já não aparecia havia muito tempo ressurgiu de forma inesperada no interior de Minas Gerais.
Pesquisadores registraram o retorno de uma orquídea rara no Parque Municipal da Serra da Moega, em Ubá, e o achado abriu uma nova frente científica em uma área que só recentemente começou a receber atenção sistemática.
Planta brasileira que havia sumido ressurge pela 1ª vez em Minas Gerais
A planta identificada é a Cycnoches pentadactylon Lindl, conhecida popularmente como Pescoço de Cisne. A espécie é considerada uma das orquídeas mais ameaçadas do país e costuma ser encontrada em regiões úmidas do Sudeste brasileiro e também em áreas do Peru.
Ela é marcada por flores que variam do marrom ao arroxeado e por uma estrutura floral masculina que forma uma curva elegante, lembrando o pescoço de um cisne.
A população natural da planta vem diminuindo de forma acelerada devido à perda de habitat, o que levou o Centro Nacional de Conservação da Flora a classificá-la como em perigo. No Espírito Santo sua situação é ainda mais crítica.
A redescoberta em Minas Gerais veio a partir de registros fotográficos feitos durante atividades de campo.
A equipe da ProBiodiversa Brasil, formada por Carlos Galván Cisneros, Rodrigo Gorsani, Rafaela Brandão Gomes Silva e Alex Pires Coelho, analisou as imagens, consultou especialistas e revisou estudos disponíveis.
O conjunto das evidências confirmou que o exemplar observado no parque era realmente a rara Cycnoches pentadactylon, algo jamais documentado no estado até agora.
Ressurgimento da planta pode orientar ações de conservação
O Parque da Serra da Moega, que abriga cerca de 65 hectares de mata preservada, tem se mostrado um ponto estratégico para novas descobertas.
A unidade, criada há quase três décadas, ganhou impulso científico após a elaboração do Plano de Manejo em 2024, o que estimulou pesquisas sobre flora e fauna locais.
A presença do Pescoço de Cisne reforça a importância desse tipo de área para espécies que precisam de condições ambientais específicas para sobreviver.
Os pesquisadores planejam retornar ao parque entre março e abril de 2026, período de floração, para fazer a coleta botânica e encaminhar amostras ao herbário.
O material servirá para documentação formal e para a futura publicação dos resultados em revista especializada.
O achado pode ajudar a ampliar o conhecimento sobre a distribuição da espécie e orientar ações de conservação em outros pontos do Sudeste brasileiro, onde a planta enfrenta forte pressão ambiental.





