A busca por viver mais sempre esteve ligada a hábitos saudáveis, alimentação equilibrada e exercícios físicos. Mas pesquisas recentes mostram que o fator mais poderoso pode ser a qualidade das conexões sociais.
Ken Stern decidiu investigar não apenas as famosas Blue Zones, mas também como grandes centros urbanos lidam com o desafio de envelhecer bem. Ele viajou por Espanha, Itália, Coreia do Sul, Japão e Singapura para descobrir como pessoas vivem mais em cidades complexas e cheias de desafios.
“Um cidadão de Tóquio vive, em média, dez anos a mais do que um nova-iorquino”, afirma Stern. A diferença está na cultura do movimento e da convivência, que incentiva os idosos a permanecerem ativos.
Empresas oferecem jornadas flexíveis, permitindo que pessoas mais velhas continuem no mercado de trabalho, e a sociedade valoriza a participação em atividades coletivas, fortalecendo laços e prevenindo a solidão.
Superblocos e intergeracionalidade
Em Barcelona, Stern ficou fascinado pelos superblocos, áreas livres do tráfego de carros que estimulam encontros comunitários. Em Singapura, o modelo intergeracional planejado pelo governo garante que jovens e idosos convivam próximos uns dos outros.
Centros antes destinados apenas a idosos foram transformados em espaços para todas as idades, próximos ao metrô, incentivando o encontro e a colaboração entre gerações.
Nos EUA, a qualidade de vida dos cidadãos envelheceu mal. A partir da década de 1980, igrejas, clubes e associações, que eram pontos centrais de convívio, foram desmantelados, enquanto condomínios para pessoas mais velhas reforçaram a segregação geracional.
Stern aponta que essa fragmentação social é um dos fatores que dificultam o envelhecimento saudável no país.
Conexões sociais como imunização
Segundo o autor, nenhum hábito substitui o efeito protetor de relacionamentos fortes. Laços sociais funcionam como uma imunização contra estresse, depressão e isolamento.
Estimular a convivência, seja por meio de grupos comunitários, atividades voluntárias ou encontros familiares, é essencial para manter o corpo e a mente saudáveis.
Criando vínculos mesmo sendo introvertido
Stern confessa que é introvertido, mas encontrou maneiras de fortalecer sua rede social: participar de grupos, dar aulas e atuar como voluntário. Ele ressalta que envelhecer bem não é apenas questão de saúde física, mas de envolvimento ativo com a comunidade.
Aos 62 anos, já planeja como quer viver aos 70, sempre buscando mais convivência e interação entre diferentes gerações.
Com a ONU prevendo 3,7 milhões de centenários até 2050, as conexões humanas serão cada vez mais essenciais. Em sociedades envelhecidas, a vitalidade social dependerá de como diferentes gerações se mantêm unidas e participativas.
O estudo de Stern confirma que viver até os 100 é possível, mas depende de estar conectado, ativo e engajado com a comunidade ao redor.






