A presença crescente de guaxinins em áreas urbanas tem despertado a atenção da comunidade científica, especialmente diante de indícios de que esses animais estariam apresentando sinais iniciais de um processo de domesticação.
Um estudo conduzido pela Universidade do Arkansas em Little Rock, nos Estados Unidos, investigou essa hipótese a partir da análise de quase 200 mil fotografias enviadas por usuários à plataforma de ciência cidadã iNaturalist. O trabalho contou com a participação direta de 16 estudantes e teve seus resultados publicados no início de outubro na revista científica Frontiers in Zoology.
Mudanças nos guaxinins
Os pesquisadores analisaram possíveis alterações morfológicas e comportamentais em guaxinins que habitam áreas urbanas, em contraste com aqueles de regiões rurais. Entre os principais resultados, destacam-se:
- Encurtamento do focinho: os guaxinins urbanos apresentaram focinhos cerca de 3,5% menores, um traço frequentemente associado às fases iniciais do processo de domesticação, possivelmente ligado a modificações genéticas decorrentes da adaptação contínua ao convívio com seres humanos.
- Mudanças no comportamento: foi observada menor agressividade e redução do receio diante da presença humana, o que sugere maior tolerância ao contato e a seleção gradual de características mais dóceis.
- Papel do lixo nas cidades: a disponibilidade constante de resíduos urbanos foi identificada como elemento determinante, funcionando como fonte acessível de alimento e contribuindo para a fixação desses animais no ambiente urbano, além de intensificar sua interação com o cotidiano humano.
Implicações futuras
Segundo os pesquisadores, a diminuição do comportamento de esquiva pode representar um novo mecanismo de seleção natural nos centros urbanos, favorecendo a permanência e a sobrevivência de indivíduos mais tolerantes à proximidade humana. Apesar disso, os especialistas destacam que o fenômeno ainda se encontra em estágio embrionário e demanda monitoramento contínuo.
Estudos futuros deverão incluir outras espécies de mamíferos que vivem em áreas urbanas, como os gambás, com o objetivo de avaliar se a simples convivência com seres humanos é capaz de impulsionar processos semelhantes de adaptação e possível domesticação.





