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O lugar mais isolado do planeta Terra é o preferido da Nasa por motivo chocante

Por Leticia Florenço
23/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Ponto nemo
Créditos: Reprodução/WIkimedia Commons

Ponto nemo Créditos: Reprodução/WIkimedia Commons

Imagine estar em um local tão remoto que os seres humanos mais próximos não estão em barcos, ilhas ou continentes, mas orbitando a centenas de quilômetros de altura, dentro da Estação Espacial Internacional.

Esse lugar existe e se chama Point Nemo, considerado o ponto mais isolado do planeta. Localizado no coração do Pacífico Sul, ele é tão distante de qualquer terra firme que representa a própria definição de solidão oceânica. Para muitos, é apenas um ponto no mapa.

Para outros, é uma das regiões mais misteriosas que a Terra ainda esconde.

A geografia da solidão absoluta

Point Nemo fica a 48°52.6’S 123°23.6’W e é oficialmente o ponto oceânico mais afastado de qualquer ilha ou continente. Seus três pontos costeiros mais próximos, Pandora Islet, Motu Nui e a remota Ilha Maher, ficam a cerca de 2.688 km de distância em todas as direções.

Isso significa que, se você estivesse ali, não veria terra por semanas, não cruzaria navios e não ouviria aviões. Não por falta de sorte, o local simplesmente não está em nenhuma rota marítima ou aérea.

É um vazio natural tão completo que até a vida ali parece rarefeita, como se a própria natureza tivesse decidido manter distância.

O deserto azul do Pacífico Sul

A explicação para esse isolamento é simples e brutal: Point Nemo se encontra no centro do Giro do Pacífico Sul, uma gigantesca corrente oceânica circular que impede a chegada de nutrientes.

Sem alimento, sem sedimentos, sem matéria orgânica, a região se torna uma das mais biologicamente pobres da Terra. Poucos microrganismos sobrevivem ali, e mesmo para padrões de mar profundo a vida é escassa.

É um cenário silencioso, estático, quase extraterrestre, e justamente por isso desperta tanto fascínio científico.

Um ponto descoberto pelo poder dos números

Apesar de hoje ser amplamente conhecido, Point Nemo só foi localizado em 1992. Nenhum explorador chegou lá por acaso; nenhuma expedição encontrou esse ponto com bússolas e navios.

Quem descobriu foi o engenheiro croata Hrvoje Lukatela, usando cálculos e modelos digitais para identificar o local mais distante de qualquer terra firme. Décadas depois, em 2022, ele revisitou os cálculos com mapas modernos e confirmou que o ponto é realmente imbatível em termos de afastamento.

Point Nemo é, essencialmente, uma criação matemática revelada pela era tecnológica.

Da ficção ao mito

Antes mesmo de ser oficialmente descoberto, Point Nemo já habitava o imaginário da cultura pop e da literatura. O nome é inspirado no Capitão Nemo, personagem de 20 Mil Léguas Submarinas, de Jules Verne, e o significado em latim (“ninguém”) cai como uma luva para definir o local onde praticamente nada vive.

Porém, o detalhe mais curioso vem de H. P. Lovecraft: em 1928, muito antes de qualquer cálculo geoespacial, ele descreveu a região como a localização da cidade submersa de R’lyeh, lar da criatura cósmica Cthulhu.

Por coincidência, ou intuição literária, o local imaginado por Lovecraft é incrivelmente próximo ao ponto real.

Por que a NASA transformou Point Nemo em seu destino final?

O motivo que choca muita gente é simples, Point Nemo é o maior cemitério de espaçonaves da Terra. A NASA, junto com outras agências como ESA e Roscosmos, usa a região para derrubar satélites, módulos orbitais e naves que chegam ao fim de sua vida útil.

Como quase ninguém passa por lá e a biodiversidade é mínima, o risco de danos é praticamente inexistente. O local já recebeu centenas de destroços orbitais, e deverá receber seu hóspede mais famoso em 2031, a Estação Espacial Internacional, que será desativada e mergulhará ali, no ponto mais solitário dos mares.

O que existe do outro lado do planeta?

O antipoda de Point Nemo, o ponto exatamente oposto na superfície terrestre, fica no interior do Cazaquistão Ocidental, perto da cidade de Shubarkuduk. De um lado, o vazio absoluto do oceano; do outro, as estepes secas e vastas da Ásia Central.

Dois mundos completamente distintos unidos pela maior distância geográfica possível.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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