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Ciência revela que cada idade deve ter café da manhã apropriado para o metabolismo

Por Leticia Florenço
17/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Café da manhã - Reprodução/iStock

Café da manhã - Reprodução/iStock

O café da manhã continua sendo a refeição que melhor prepara o corpo para o dia, mas a ciência mostra que ele precisa ser adaptado conforme a idade e o metabolismo.

Fatores como ritmo circadiano, tempo de sono, sensibilidade à insulina, última refeição da noite e até nível de estresse influenciam diretamente a fome ao acordar e a forma como o corpo processa alimentos.

Há pessoas que simplesmente não sentem apetite pela manhã, o que pode indicar que a melatonina ainda está alta ou que o organismo segue digerindo um jantar tardio e pesado.

Por isso, especialistas defendem que a primeira refeição deve respeitar o relógio interno e oferecer nutrientes que façam sentido para cada fase da vida.

Sono, estresse e a falsa sensação de energia provocada pela cafeína

Ao despertar, o equilíbrio entre melatonina, hormônio do sono, e cortisol, hormônio que nos dá energia, decide se será fácil ou não comer cedo. Quando a melatonina permanece elevada, comer nas primeiras horas do dia pode causar desconforto. Soma-se a isso o hábito comum de “substituir” a refeição por café.

Segundo terapeutas nutricionais, a cafeína mascara a fome ao estimular adrenalina, mas não fornece energia real às células. Por isso, começar o dia apenas com café pode prejudicar o apetite, aumentar o estresse e desregular o metabolismo, criando um ciclo de fome tardia e baixa energia.

Alimentos que devem ser evitados no café da manhã segundo a ciência

Cereais industrializados, pães e farinhas refinadas, iogurtes adoçados, carnes processadas e doces matinais são os campeões dos picos de glicose seguidos de queda abrupta de energia. Esses alimentos oferecem sensação de saciedade instantânea, mas não sustentam o corpo ao longo da manhã.

A ingestão frequente também está associada a maior risco cardiovascular, aceleração da fome e pior qualidade nutricional. Alternativas mais saudáveis incluem aveia natural, pães integrais, iogurte sem açúcar, ovos e frutas inteiras, que fornecem fibras, proteínas e gorduras boas sem causar desequilíbrios metabólicos.

Bebidas prontas e sucos industrializados também devem ser evitados, pois contêm açúcar concentrado e poucas fibras.

O café da manhã ideal para bebês e crianças pequenas

Nos primeiros anos de vida, o corpo está formando hábitos e desenvolvendo sistemas metabólicos sensíveis. Até o primeiro ano, leite materno ou fórmula deve ser a base da alimentação. A introdução de frutas frescas pode ocorrer a partir dos cinco meses, enquanto o glúten deve ser apresentado após os sete meses.

Ovos, que são ricos em proteínas, costumam ser recomendados por volta dos nove meses, sempre com supervisão pediátrica. A partir de um ano, o ideal é que a criança comece a participar da alimentação familiar, criando o costume de sentar à mesa e se adaptar lentamente às texturas dos alimentos matinais.

O café da manhã para crianças em fase escolar

Entre 2 e 10 anos, o organismo precisa de energia para sustentar o crescimento físico e o desenvolvimento cognitivo, com demandas diárias que chegam a 2.200 calorias. Um café da manhã equilibrado deve unir proteínas, gorduras saudáveis e fibras.

Iogurte natural com nozes, uma fruta fresca e torrada integral com azeite formam uma composição que melhora o desempenho escolar, estabiliza o açúcar no sangue e previne episódios de fome intensa ao longo da manhã. Essa refeição também contribui para melhor concentração e energia constante.

A importância do desjejum na adolescência

A adolescência é marcada por mudanças hormonais intensas e aceleração do metabolismo, tornando o café da manhã ainda mais crucial. Recomenda-se que os jovens consumam leite, café com leite ou iogurte natural, acompanhado de uma fruta e duas fatias de pão ou torrada integral com azeite, tomate ou queijo.

Essa combinação oferece energia de liberação gradual, evita picos glicêmicos e auxilia na concentração durante as atividades escolares. Além disso, ajuda a evitar o consumo exagerado de ultraprocessados ao longo do dia.

O café da manhã na vida adulta e após os 50 anos

Para adultos, o foco do desjejum é manter a massa muscular, controlar o metabolismo e prevenir doenças crônicas. A necessidade calórica gira entre 2.000 e 2.500 kcal, variando conforme o estilo de vida.

Leite com café ou chá, frutas frescas e torradas integrais com azeite são escolhas eficientes para manter energia e saciedade.

Homens costumam demandar mais calorias, enquanto mulheres, especialmente após os 50 anos, devem priorizar proteínas, cálcio, ferro e vitamina D, essenciais para a saúde óssea e a preservação muscular.

A ciência reforça que sucos industrializados e bebidas com açúcar devem ser deixados de lado, pois não oferecem fibras e provocam variações no humor e na glicemia.

Quando comer é tão importante quanto o que comer

Além da qualidade do alimento, o horário também influencia. Estudos recentes indicam que fazer o café da manhã antes das 9h reduz o risco de depressão e melhora o humor.

Já quem come após esse horário tem quase 30% mais chance de apresentar piora emocional e queda na energia. Outro mito derrubado é o de que pular o café da manhã ajuda a emagrecer, pesquisas mostram que isso desregula o metabolismo e torna mais difícil perder peso.

Para quem deseja reduzir medidas, recomenda-se ingerir de 20% a 30% das calorias do dia logo pela manhã, garantindo saciedade prolongada e maior estabilidade hormonal.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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