O aquecimento global projeta cenários preocupantes para a demanda por resfriamento no mundo. Segundo relatório do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), apresentado durante a COP30 em Belém ano passado, a capacidade global instalada de sistemas de resfriamento pode triplicar até 2050 em comparação com os níveis registrados em 2022, caso as atuais tendências de aumento de temperatura não sejam contidas.
O estudo destaca ainda que o consumo energético relacionado a refrigeradores e aparelhos de ar-condicionado poderia alcançar 68 terawatts em 2050, evidenciando o crescimento potencial do setor, embora esse valor não corresponda necessariamente ao uso real de energia global.
Gasto de energia do ar-condicionado
Apesar do aumento no uso de sistemas de resfriamento, quase três bilhões de pessoas ainda terão acesso limitado até meados do século. Para isso, recomenda-se adotar soluções passivas como sombreamento, arborização, ventilação natural, superfícies refletivas e estratégias regenerativas, que reduzem o consumo energético e melhoram o resfriamento urbano.
O estudo ressalta a necessidade de ações integradas, combinando tecnologia, planejamento urbano e eficiência energética, para mitigar impactos sociais, econômicos e ambientais do aquecimento global.
Globalmente, 134 países incorporaram medidas de resfriamento em suas NDCs, mas apenas 54 possuem regulamentações completas, incluindo normas de construção passiva, padrões mínimos de eficiência e atualização rápida de equipamentos.
Situação no Brasil
No Brasil, o relatório aponta que apenas um terço das escolas dispõe de algum sistema de resfriamento, e em certos estados esse percentual cai para 3%, revelando deficiências expressivas na infraestrutura disponível para a população escolar.
Como anfitrião da COP30 em 2025, o país apresentou iniciativas voltadas ao combate ao calor, incluindo uma plataforma de soluções sustentáveis de resfriamento, destinada a apoiar municípios na implementação de políticas locais e no enfrentamento de limitações financeiras.
O Secretário Nacional de Meio Ambiente Urbano, Adalberto Maluf, ressaltou que regiões como o Pantanal e a Amazônia vêm registrando aumentos de temperatura superiores à média nos últimos anos, com consequências diretas sobre níveis de água, ocorrência de incêndios florestais e condições ambientais extremas. Municípios como Barcarena, no Pará, já aplicam essas medidas e apresentam avanços concretos no controle do calor urbano.






