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Oi entra em colapso judicial e sua falência é oficializada nesta semana

Por Leticia Florenço
12/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Operadora OI - Reprodução

Operadora OI - Reprodução

Depois de quase uma década tentando sobreviver, a Oi finalmente chegou ao ponto que especialistas consideravam inevitável, a empresa admitiu não ter mais condições de pagar dívidas, gerar caixa ou cumprir o plano de recuperação judicial.

O pedido de reconhecimento da insolvência foi feito pelo próprio gestor judicial, e a Justiça não hesitou em confirmar, a Oi está tecnicamente falida.

A 7ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro decretou a falência do Grupo Oi. A decisão veio acompanhada de uma declaração dura, não existiam mais perspectivas de recuperação, e todos os indícios apontavam para um colapso irreversível.

A juíza responsável afirmou que não há surpresas, porque o estado da companhia já era de “falência técnica”. Com a sentença, a empresa deixa de tentar se reerguer e entra na fase de liquidação.

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Mesmo após a falência, a Justiça determinou que a Oi continue operando temporariamente. A medida não é um privilégio, mas uma necessidade nacional, a empresa presta serviços essenciais e estratégicos para o país.

Interromper suas atividades de imediato colocaria em risco serviços de emergência, conectividade de órgãos públicos e até a operação de sistemas de segurança nacional. Assim, a continuidade provisória permite que o serviço funcione até que a transição para novas empresas seja concluída.

A Oi ainda hoje mantém contratos com ministérios, universidades, órgãos públicos, estatais, bancos e empresas privadas. Ela garante o funcionamento de números de emergência, conecta mais de 13 mil lotéricas da Caixa e é a única operadora presente em cerca de 7.500 localidades brasileiras.

Em alguns desses locais, nenhuma outra empresa de telecomunicações tem infraestrutura disponível. Por isso, a Anatel já vinha monitorando a situação e negociando alternativas.

O auge da supertele e a ilusão do crescimento

Houve um período em que a Oi era tratada como uma das gigantes nacionais. A empresa foi apoiada por políticas públicas que incentivavam a criação de “campeões nacionais”.

A fusão com a Brasil Telecom e o envolvimento com a Portugal Telecom pareciam estratégias visionárias, mas bastou pouco tempo para que o projeto se mostrasse insustentável.

As dívidas cresceram em ritmo acelerado e o modelo de negócio, já fragilizado, não conseguiu se adaptar às mudanças tecnológicas do setor.

Anos vendendo mais patrimônio do que serviços

Para tentar sobreviver, a Oi vendeu praticamente tudo o que tinha valor, operações móveis, TV por assinatura, rede de fibra óptica e até parte da infraestrutura. Porém, os resultados financeiros não vinham das operações da empresa, vinham da venda de ativos e de empréstimos.

Na prática, a Oi foi sendo desmontada enquanto tentava mostrar ao mercado que ainda existia futuro.

A dívida que virou uma bola de neve

Mesmo após a maior recuperação judicial da história do Brasil, as dívidas não diminuíram. Em 2025, a dívida com fornecedores que estavam fora do processo judicial chegou a R$ 1,7 bilhão.

A receita mensal de aproximadamente R$ 200 milhões era insuficiente até para manter a operação mínima funcionando. A Justiça classificou essa situação como a “ponta do iceberg”, já que a empresa acumulava compromissos muito maiores do que os números aparentavam.

Houve episódios em que o corte de energia nos prédios da Oi precisou ser impedido judicialmente. Em outro momento, um fornecedor de satélite ameaçou suspender as transmissões, o que afetaria até o controle do espaço aéreo brasileiro.

O Judiciário mencionou esses casos como prova de que não havia mais tempo para esperar por uma intervenção do governo.

Diretoria afastada e controle total do gestor judicial

Com a falência decretada, o Conselho de Administração e a direção executiva da Oi foram afastados. O gestor judicial Bruno Rezende assumiu o comando da empresa com poderes totais. O objetivo agora é um só, liquidar os ativos de maneira organizada para pagar credores e encerrar definitivamente as atividades.

O único grande ativo que restou é a Oi Soluções, unidade que atende empresas e governos. São quase 10 mil contratos ativos, sendo 60% deles com o setor público. Mais de sete empresas já demonstraram interesse na compra, mas nenhuma quer a companhia inteira, apenas partes dela.

A Justiça insiste que a venda deve ser feita de forma integral, evitando o “fatiamento” e preservando o valor final da alienação.

O ponto final de uma era

A falência da Oi marca o fim de uma empresa que já foi sinônimo de telefonia no Brasil e parte do cotidiano de milhões de brasileiros. Ela sai de cena deixando uma lição amarga sobre má gestão, decisões políticas equivocadas e falta de visão estratégica em um setor altamente competitivo.

Nos próximos meses, a Oi seguirá funcionando apenas para permitir que o país não fique sem serviços essenciais. Depois disso, será apenas história.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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