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Uma das maiores empresas do mundo é denunciada por trabalho escravo

Por Leticia Florenço
10/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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A denúncia recente envolvendo gigantes globais do setor alimentício, como Nestlé e Starbucks (via AmRest na Alemanha), acendeu alertas sobre a persistência de práticas de trabalho análogo à escravidão na cadeia produtiva do café brasileiro.

Investigações realizadas por organizações de defesa dos direitos humanos, incluindo a Coffee Watch, a International Rights Advocates e o Repórter Brasil, apontam graves violações que afetam trabalhadores em diversas regiões do país.

Denúncias e órgãos envolvidos

Segundo reportagem do jornal alemão Deutsche Welle, as ONGs apresentaram queixas formais às autoridades na Alemanha e nos Estados Unidos, pedindo investigação e responsabilização das empresas. Entre as alegações estão:

  • Trabalho infantil em plantações de café;
  • Tráfico de pessoas;
  • Exploração de trabalhadores em condições análogas à escravidão;
  • Violação de direitos humanos e trabalhistas em diferentes etapas da cadeia de suprimentos.

As denúncias se concentram em cooperativas brasileiras, como a Cooxupé (MG) e a Cooabriel (ES), que fornecem grãos para grandes empresas globais. As cooperativas, por sua vez, negam práticas ilegais e afirmam seguir protocolos de controle e fiscalização junto a seus cooperados.

Impacto das denúncias internacionais

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Em 2025, as organizações protocolaram uma petição na Alfândega dos Estados Unidos (CBP) solicitando a retenção de importações provenientes de fontes suspeitas, além de uma ação civil coletiva contra a Starbucks em nome de trabalhadores resgatados de condições análogas à escravidão.

Na Alemanha, reclamações foram apresentadas à autoridade BAFA com base na Lei de Due Diligence na Cadeia de Suprimentos (LkSG), que responsabiliza grandes empresas por violações de direitos humanos e ambientais, sob risco de multas, sanções e perda de contratos públicos.

A lei entrou em vigor em 2023 e se aplica a companhias com atuação no país europeu.

Casos específicos de exploração

Relatórios investigativos documentam episódios graves. O relatório Behind Starbucks Coffee, elaborado pelo Repórter Brasil, aponta que, em 2022, 17 trabalhadores foram resgatados de condições de trabalho análogas à escravidão na Fazenda Mesas, localizada em Campos Altos, Minas Gerais.

Entre os resgatados estavam adolescentes de 15, 16 e 17 anos.

A Coffee Watch descreve essas práticas como “graves e generalizadas”, destacando que os problemas não se limitam a uma fazenda específica, mas se repetem em diversas propriedades fornecedoras das cooperativas que abastecem marcas globais renomadas.

Reação das empresas

Nestlé: A empresa informou que investiga os casos, afirmou não ter ligação direta com as fazendas citadas e afirmou ter encerrado relações de fornecimento quando constatada não conformidade com seus protocolos de due diligence.

Starbucks: A companhia afirmou ter compromisso com práticas éticas e com o programa de verificação C.A.F.E. Practices. A Starbucks destacou que apenas adquire pequenas quantidades de produtos de cooperativas, sempre de fazendas verificadas.

Cooperativas: A Cooxupé, citada nas denúncias, repudiou o trabalho escravo e informou ter interrompido fornecimentos com fazendas denunciadas, ressaltando que tais casos representam uma fração mínima do total de cooperados.

Consequências

O caso evidencia a complexidade e os desafios do comércio global de produtos agrícolas, em especial o café. Apesar de programas de certificação e fiscalização, violações graves ainda persistem, exigindo maior rigor de empresas multinacionais, fiscalização de governos e mobilização da sociedade civil.

Além disso, os relatos reforçam a necessidade de políticas efetivas de combate ao trabalho infantil e análogo à escravidão, destacando que mesmo marcas de grande prestígio podem se ver envolvidas em práticas ilegais sem um monitoramento contínuo e transparente.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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