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Você sabia que há uma elite “real” no Brasil? Censo revela quem são

Por Leticia Florenço
07/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Realeza - Reprodução/Unsplash

Realeza - Reprodução/Unsplash

No papel, o Brasil deixou a monarquia para trás em 1889. Na prática, porém, uma curiosa realeza continua existindo, não em palácios, mas em cartórios. Entre registros de nascimento comuns, surgem nomes que parecem ter saltado de um conto medieval diretamente para o documento de identidade dos brasileiros.

Não são apelidos, nem nomes artísticos: são nomes de batismo. Gente que carrega, literalmente, o título de Rei, Rainha ou até Imperatriz.

A aristocracia dos nomes

Dados recentes do IBGE revelam que existem brasileiros chamados Príncipe, Princesa, Imperatriz, Duque, Conde, Rei e Rainha. Sim, títulos que antes eram concedidos apenas pela monarquia foram transformados em nomes próprios.

Segundo o levantamento: 25 pessoas se chamam Príncipe, com média de idade de 28 anos, enquanto 98 se chamam Princesa, com média de 21 anos. Há ainda 119 Imperatrizes, 148 Reis, 65 Rainhas, além de 37 Duques e 24 Condes espalhados pelo país.

Ninguém herdou o título por sangue ou linhagem, herdaram pela escolha dos pais, movidos por fascínio, simbolismo ou puro encanto sonoro. Uma espécie de aristocracia afetiva, basta o nome para coroar.

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O fenômeno William

Entre os nomes ligados à ideia de realeza, um se destaca pela grandeza e pela história, William. O mesmo nome do Príncipe William, herdeiro da coroa inglesa.
O IBGE registrou 95.539 brasileiros chamados William.

A popularidade explodiu nos anos 1980, período em que o príncipe nasceu. Entre 1980 e 1989, foram registrados 23.105 Williams, mais que o triplo da década anterior.

A monarquia britânica pode parecer distante, mas influenciou pais brasileiros que buscavam um nome moderno, refinado e ligado ao glamour das revistas e noticiários da época.

O portal que revela os nomes e sobrenomes do Brasil

A nova versão do portal Nomes do Brasil, do IBGE, funciona como um mapa vivo da identidade nacional. Ele permite pesquisar qualquer nome por estado, município ou década, além de mostrar gráficos e um mapa-múndi com comparações internacionais.

Ali, é possível ver em que região o nome predominou e como se espalhou ao longo do tempo.

O banco de dados é gigantesco. 203 milhões de pessoas foram analisadas, distribuídas em 90,7 milhões de domicílios e 5.570 municípios. Para manter a precisão, o sistema separa nomes de sobrenomes e desconsidera palavras como de, da, dos.

Só são exibidos nomes com frequência mínima de 20 registros no país, garantindo relevância estatística.

Tradição ainda dita a identidade brasileira

Apesar da criatividade e da ousadia de quem escolhe nomes de realeza, a cultura brasileira continua dominada por nomes tradicionais, principalmente de origem bíblica ou religiosa.

No ranking mais recente, Maria segue imbatível e aparece em mais de 12,2 milhões de registros. Logo atrás vem José, com mais de 5 milhões. Em seguida aparecem Ana, João, Antonio, Francisco e Pedro, nomes que atravessam séculos e regiões.

Enquanto alguns pais buscam originalidade e simbolismo, outros preferem tradição e simplicidade. O resultado é um mosaico cultural em que Maria convive com Imperatriz, e João pode ter um colega de escola chamado Duque.

Cada nome revela um recorte de desejo, memória ou referência cultural. Alguns carregam fé, outros carregam idolatria por celebridades, personagens ou até por membros da monarquia.

Quando um pai escolhe Princesa, talvez deseje grandeza. Quando escolhe Maria, busca tradição. Mas, no fim, todos buscam o mesmo: que o nome seja uma espécie de coroa simbólica, um presente que carregará significados ao longo da vida.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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