No Dia Internacional dos Cuidados e do Apoio, celebrado em 29 de outubro, o Governo Federal anunciou uma medida inédita no país: a criação de 17 lavanderias públicas e comunitárias destinadas a regiões de baixa renda, com investimento total de R$ 13 milhões.
O objetivo é enfrentar a sobrecarga do trabalho doméstico, que no Brasil recai principalmente sobre as mulheres, e transformar o cuidado em responsabilidade coletiva, não mais individual.
A iniciativa, confirmada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, marca uma nova etapa das políticas de cuidado no país e reforça a visão de que tempo é um recurso econômico, social e humano.
Estruturas pensadas para autonomia
As lavanderias não se resumem a um espaço com máquinas e tanques, são ambientes planejados para acolhimento e desenvolvimento comunitário. Elas contam com áreas de lavagem e secagem, recepção, brinquedoteca para crianças e salas multiuso, onde são promovidas oficinas, cursos e atividades culturais.
A proposta é simples e revolucionária ao mesmo tempo, transformar horas antes destinadas à lavagem de roupa em tempo útil para estudo, trabalho, descanso ou convivência familiar.
Enquanto roupas são lavadas e secas, as mulheres participam de rodas de conversa, capacitações sobre organização financeira, incentivo ao empreendedorismo e discussões sobre a divisão justa do trabalho doméstico. Nesses espaços, a rotina pesada é substituída por trocas, aprendizado e construção de autonomia.
Mudança de cultura e justiça de gênero
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, destaca que a iniciativa vai além da infraestrutura. Segundo ela, essas lavanderias representam uma mudança cultural profunda:
“As lavanderias públicas são um exemplo concreto de como políticas de cuidado podem transformar vidas. Quando liberamos tempo para as mulheres, estamos devolvendo dignidade, autonomia e oportunidade de participação plena na sociedade. Não se trata apenas de lavar roupas, mas de mudar uma cultura e garantir justiça de gênero.”
Numa sociedade em que o trabalho doméstico é historicamente invisível e não remunerado, o Estado passa a assumir responsabilidade direta sobre parte dessa carga.
Plano Nacional de Cuidados
A iniciativa está dentro do Plano Nacional de Cuidados, criado após a sanção da Política Nacional de Cuidados, em 2024. O plano reconhece que o cuidado é direito de todos e responsabilidade compartilhada entre Estado, famílias, sociedade e setor privado.
No Brasil, dados da PNAD Contínua (2022) mostram que as mulheres dedicam 21,3 horas por semana a afazeres domésticos, quase o dobro dos homens (11,7 horas). Entre mulheres de baixa renda e negras, essa carga é ainda maior. Mesmo idosas continuam cuidando: na faixa de 60 a 69 anos, são 24 horas semanais.
As lavanderias públicas se somam a outras ações de cuidado, como as Cuidotecas e o programa Mulheres Mil, voltado para formação e geração de renda.
Investimento e expansão pelo país
Além de Caruaru, já há convênios para novas unidades em:
- Petrópolis (RJ), com duas lavanderias;
- Teresina e Parnaíba (PI), com mais duas unidades;
- Ceará e Bahia, que estão em negociação.
A meta é simples e ambiciosa: fazer dessas lavanderias centros comunitários vivos, capazes de gerar autonomia, renda e pertencimento.





