O Ministério do Trabalho anunciou que mais de R$ 37 bilhões em contratos antigos de crédito consignado para trabalhadores do setor privado já foram migrados para a nova plataforma digital do Crédito do Trabalhador.
Ao todo, essa transição envolve 2,3 milhões de contratos, reforçando o movimento do governo em modernizar e digitalizar o acesso a empréstimos com desconto em folha.
Apesar do número alto, ainda restam cerca de 1 milhão de contratos, em sua maioria de menor valor, que serão gradualmente convertidos para o sistema digital.
Nova plataforma digital
A migração beneficia os trabalhadores com acesso ao aplicativo da Carteira de Trabalho Digital (CTPS Digital), onde agora é possível acompanhar, simular e contratar operações de crédito.
Com a integração, o trabalhador ganha mais autonomia para buscar melhores condições, seja através da portabilidade de empréstimos ou da contratação direta junto às instituições financeiras.
A portabilidade, até então feita pelos bancos, estará totalmente disponível no app a partir de 1º de dezembro, permitindo que o trabalhador troque contratos antigos por outros mais vantajosos com juros mais baixos.
Crescimento do consignado CLT
Desde março de 2025, quando a nova plataforma foi lançada, o consignado CLT movimentou R$ 82,1 bilhões, envolvendo 12,2 milhões de contratos e 7,1 milhões de trabalhadores.
O valor médio de empréstimo por trabalhador chega a R$ 11,4 mil, consolidando o consignado CLT como a modalidade mais competitiva do mercado financeiro atual.
Além disso, o governo prepara a implementação de um sistema de garantias, que permitirá ao trabalhador utilizar até 10% do FGTS e 40% da multa por demissão por justa causa como garantia, medida que deve contribuir para reduzir ainda mais os juros.
Taxas de juros
Atualmente, o consignado ao setor privado apresenta taxa média de 3,9% ao mês, bem acima dos 1,81% a 1,84% cobrados de aposentados e servidores públicos. Para efeito de comparação, outras linhas de crédito têm os seguintes juros médios:
- Crédito pessoal não consignado: 5,99% ao mês
- Cheque especial: 7,61% ao mês
- Cartão de crédito rotativo: 15,15% ao mês
Mesmo sendo mais alto que aposentados e servidores, o consignado CLT ainda oferece maior segurança e custo mais baixo em comparação com linhas de crédito sem desconto em folha.
Sem teto definido, mas com possibilidade futura
Por enquanto, não há teto máximo para juros na nova modalidade de consignado CLT. As instituições financeiras definem as taxas livremente, com base no perfil de cada cliente.
A Febraban defende que não é necessário limitar os juros, argumentando que a garantia do FGTS já reduz o risco e permite taxas mais baixas. No entanto, o governo deixou claro que poderá estabelecer teto de juros caso identifique abusos no sistema.
O decreto presidencial que criou a nova plataforma determinou que o Comitê Gestor das Operações de Crédito Consignado definirá os parâmetros, termos e condições dos contratos, abrindo a possibilidade de regulamentação futura para proteger os trabalhadores.
Com a integração digital, acesso à portabilidade e futura regulamentação de garantias, a expectativa é que a modalidade se torne ainda mais vantajosa, com juros mais competitivos e maior segurança financeira para milhões de brasileiros.






