Relatórios da Organização Mundial da Saúde (OMS), publicados em julho de 2025, apontam que 16% da população mundial se declara solitária, com índices ainda maiores entre adolescentes (21%) e jovens adultos (17%). Esse cenário tem estimulado o desenvolvimento de novos serviços e mercados voltados à oferta de companhia e interação social.
Dentre essas iniciativas, destacam-se clubes e plataformas que organizam encontros presenciais e experiências coletivas, com foco na criação de vínculos autênticos e no fortalecimento das relações sociais, especialmente para indivíduos que buscam conexões além das redes sociais tradicionais.
‘Compra’ de amigos
No Brasil, algumas plataformas de assinatura disponibilizam programação diversificada, incluindo jantares, passeios, atividades culturais e esportivas, clubes de leitura e palestras online, com o objetivo de promover a criação de redes sociais estruturadas e relações mais duradouras.
O setor também abrange serviços individuais remunerados, nos quais profissionais acompanham clientes em diferentes atividades, como refeições, passeios ou conversas, com preços que variam conforme a duração e o tipo de interação. Esse modelo tem se expandido entre pessoas que vivem isolamento prolongado ou que buscam restaurar vínculos sociais após perdas ou mudanças significativas na vida.
Internacionalmente, iniciativas como o Meetup e o Rent A Friend, nos Estados Unidos, e o Timeleft, em Portugal, seguem proposta semelhante, promovendo encontros entre indivíduos com interesses comuns e oferecendo alternativas à solidão digital. No Brasil, plataformas locais, como o Rent a Local Friend, adaptam esses modelos, conectando usuários a experiências presenciais e oportunidades de socialização.
Combate à solidão
Estudos da OMS indicam que a solidão é um fator de risco à saúde, associada a cerca de 871 mil mortes anuais entre 2014 e 2019, atuando por mecanismos biológicos, psicológicos e comportamentais. Serviços pagos de companhia oferecem alívio temporário, mas apenas plataformas que promovem interações repetidas e vínculos de qualidade conseguem reconstruir redes sociais genuínas e fornecer suporte emocional duradouro.
A expansão desse setor reflete necessidades sociais e oportunidades econômicas, respondendo à crescente demanda por soluções que integrem tecnologia, encontros presenciais e conexões autênticas em uma sociedade digitalmente conectada, porém socialmente isolada.





