Pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG), no Paraná, desenvolveram um gel cicatrizante inovador a partir da pele da tilápia, sem a necessidade de sacrificar o peixe.
O produto, criado por estudantes e docentes do Departamento de Ciências Farmacêuticas e do Programa de Pós-Graduação da instituição, vem sendo utilizado, em fase experimental, no tratamento de feridas em cães e gatos.
Gel cicatrizante feito com tilápias vivas é descoberto
A substância base do gel cicatrizante é um hidrolisado de colágeno extraído da pele da tilápia, obtido por meio de um processo de hidrólise, que é uma técnica que quebra as proteínas em pequenos fragmentos chamados peptídeos.
Esse material chega à UEPG em forma líquida, enviado por pesquisadores da Universidade Federal do Paraná (UFPR), parceiros no projeto.
No laboratório da UEPG, o líquido passa por um processo de secagem, transformando-se em pó. Essa forma facilita o manuseio e permite sua incorporação como ativo farmacêutico em formulações de gel.
O objetivo do produto é acelerar a regeneração da pele e reduzir o tempo de cicatrização de feridas, como cortes e queimaduras.
Os primeiros resultados foram promissores: em cerca de uma semana, os pesquisadores observaram redução significativa nas áreas lesionadas. A cicatrização também apresentou menor risco de infecção, evidenciando propriedades antimicrobianas associadas ao gel.
A criação do produto é resultado de anos de pesquisa. Tudo começou com a iniciativa do professor Eduardo César Meurer, da UFPR, que desenvolvia estudos sobre proteínas da pele de tilápia.
O projeto ganhou corpo na UEPG, com a participação de estudantes da pós-graduação, que expandiram a investigação para a área veterinária. Até o momento, aproximadamente 44 animais resgatados, entre cães e gatos, já foram tratados com o gel, sob acompanhamento clínico.
Gel cicatrizante pode ser extraído de forma sustentável, sem a perda do peixe
A descoberta não apenas apresenta um avanço na medicina veterinária, como também representa uma inovação sustentável: o uso da tilápia viva evita o abate do animal, permitindo a extração contínua da pele com técnicas não invasivas.
O projeto foi recentemente premiado pelo Programa de Propriedade Intelectual com Foco no Mercado (Prime), recebendo R$ 200 mil para dar continuidade ao desenvolvimento.
Com esses recursos, a equipe pretende implantar todas as etapas da produção na UEPG, desde a extração do colágeno até a formulação final do gel cicatrizante.
Os pesquisadores também planejam ampliar o portfólio de produtos e buscar parceiros para a comercialização da tecnologia, além de realizar novos testes clínicos e análises de estabilidade.






