Mauricio de Sousa é reconhecido como um dos maiores criadores de histórias em quadrinhos do mundo, responsável por dar vida à Turma da Mônica e a mais de 200 personagens que atravessaram gerações.
Porém, por trás do artista celebrado, existe um capítulo surpreendente da sua juventude que poucos conhecem.
Antes de alcançar o sucesso, ele viveu uma experiência traumática que ficou guardada por décadas, foi preso injustamente e, por causa dessa situação, desenvolveu uma aversão tão forte a um alimento específico que passou trinta anos sem sequer tolerar seu cheiro.
O sonho em São Paulo
Ainda jovem, Mauricio deixou o interior e seguiu para São Paulo com a mala cheia de esperança. Passava o dia circulando pelas ruas, procurando empregos em jornais, agências e escritórios, determinado a conquistar seu espaço.
Ao finalmente ser contratado por uma empresa de cobrança, ficou entusiasmado, acreditava que aquele seria o primeiro passo rumo à vida que desejava construir. Mal sabia que o emprego o levaria ao pior momento de sua história.
Poucas semanas após começar a trabalhar na empresa, a polícia apareceu e levou todos os funcionários para a cadeia. O dono estava envolvido em golpes, e ninguém foi poupado, mesmo Mauricio sendo apenas um recém-contratado, absolutamente inocente.
Ele foi colocado em uma cela grande, onde dividiu o espaço com camelôs e pessoas em situação de rua. Apesar do choque e do medo, não havia criminosos perigosos ali, apenas pessoas que, de alguma forma, haviam sido empurradas para aquela realidade.
Sem colchão ou cobertor, usou o paletó como única proteção naquela noite gelada.
A fome e o alimento que se tornou trauma
Durante as primeiras 12 horas de prisão, nenhum alimento foi oferecido. Mauricio sentia o estômago doer, e a cabeça rodar. Quando finalmente surgiu um prato para os presos, ele mal acreditou.
Arroz, feijão e pedaços de pimentão boiando no óleo. Estava frio, gorduroso e com um cheiro tão forte que embrulhava o estômago. Mas a fome falou mais alto. Ele comeu tudo. A partir daquele dia, o simples cheiro de pimentão passou a causar náusea e repulsa.
Durante três décadas, não conseguiu experimentar, cozinhar ou sequer tolerar o odor desse alimento tão comum nas cozinhas brasileiras.
Da dor ao legado
Mesmo marcado pela injustiça e pelo trauma, Mauricio não desistiu de seus sonhos. A prisão poderia ter destruído sua confiança, mas se tornou um lembrete silencioso de que a vida é feita de escolhas, e ele escolheu seguir em frente.
Construiu uma carreira sólida, formou uma família enorme, deu vida a personagens inesquecíveis e se tornou referência mundial na arte de transformar histórias simples em emoções universais.
Um capítulo revelado ao mundo
Hoje, aos 90 anos, Mauricio de Sousa celebra sua trajetória com uma cinebiografia que revisita o passado, os desafios, os bastidores das criações e momentos nunca antes revelados.
O público vê o artista em cadeira de rodas, cercado por homenagens e amor, enquanto revisita com coragem um episódio que preferiu esconder por anos. Sua história prova que até grandes gênios carregam cicatrizes. E que, mesmo presos a traumas, podem escolher a liberdade de seguir adiante.






