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Evite escorpiões em casa com estas orientações simples

Por Leticia Florenço
02/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Escorpião - Reprodução/Unsplash

Escorpião - Reprodução/Unsplash

A presença de escorpiões em áreas urbanas brasileiras tem aumentado nos últimos anos. Em São Paulo, até julho de 2023, foram registrados 24,2 mil acidentes, um crescimento de 13% em relação ao mesmo período de 2022.

Fatores como altas temperaturas, expansão urbana e acúmulo de lixo contribuem para o aumento desses encontros perigosos. Apesar disso, medidas simples podem reduzir significativamente os riscos em residências e quintais.

Entendendo os escorpiões urbanos

Escorpiões necessitam de quatro elementos básicos para sobreviver: alimento, água, abrigo e acesso. O lixo atrai baratas, que servem de alimento para os aracnídeos. Entulhos, redes de esgoto e tubulações de água e energia fornecem abrigo e acesso.

Denise Maria Candido, bióloga do Instituto Butantan, ressalta que “não podemos eliminar os escorpiões da natureza, pois eles são predadores importantes no equilíbrio ecológico. Mas medidas preventivas ajudam a evitar a proliferação urbana e os acidentes”.

O Brasil possui quatro espécies que registram mais acidentes. O escorpião-amarelo (Tityus serrulatus) está presente em todas as regiões e adapta-se muito bem ao meio urbano. O escorpião-marrom (Tityus bahiensis) é comum no Centro-Oeste, Sudeste e Sul.

O escorpião-amarelo-do-Nordeste (Tityus stigmurus) predomina no Nordeste, mas já foi registrado em outros estados. Já o escorpião-preto-da-Amazônia (Tityus obscurus) ocorre na região Norte e em Mato Grosso.

Como se proteger ao encontrar um escorpião

Manusear escorpiões é altamente arriscado. Recomenda-se o uso de luvas de vaqueta ou raspa de couro, botas e sapatos fechados de material resistente. Luvas de borracha ou sapatos de pano não oferecem proteção.

Caso seja necessário, utilize gravetos longos ou pinça anatômica de 30 cm para capturar o animal e levá-lo ao Centro de Controle de Zoonoses. Nunca tente matar o escorpião com as mãos nuas.

Prevenção dentro e fora de casa

Para reduzir a presença de escorpiões, é essencial manter a residência organizada e limpa. Lixo bem acondicionado, quintais livres de entulhos, folhas secas, materiais de construção e roupas espalhadas ajudam a diminuir os abrigos.

Janelas com telas, portas bem vedadas, ralos cobertos e rodapés intactos impedem a entrada. Evitar que móveis e camas encostem nas paredes e que roupas de cama toquem o chão também reduz os riscos.

Escorpiões têm hábitos noturnos e dificilmente aparecem durante o dia, tornando a prevenção ainda mais importante.

O mito das galinhas

Embora galinhas possam se alimentar de escorpiões, seu uso para controle urbano é ineficiente e potencialmente perigoso. Escorpiões e galinhas têm hábitos diferentes (noite versus dia) e fezes de galinha podem ser reservatórios de flebotomíneos, transmissores da leishmaniose.

Além disso, a criação de aves em áreas urbanas requer autorização das autoridades sanitárias.

Temporada e reprodução

Escorpiões aparecem com mais frequência entre setembro e fevereiro nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste, enquanto Norte e Nordeste apresentam incidência durante todo o ano devido ao calor constante.

Uma fêmea pode gerar de 20 a 25 filhotes por gestação, até duas vezes ao ano. O escorpião-amarelo e o escorpião-amarelo-do-Nordeste podem se reproduzir por partenogênese, sem necessidade de acasalamento.

O que fazer em caso de picada

O veneno de escorpião pode afetar o sistema nervoso e causar dor intensa, que pode se estender pelo membro afetado. Os sintomas variam de leves a graves, incluindo suor excessivo, vômito, taquicardia, insuficiência cardíaca, edema pulmonar e risco de morte.

As primeiras medidas incluem lavar o local com água e sabão, aplicar compressa quente e buscar atendimento médico imediato. O médico pode aplicar anestésico local ou soro antiescorpiônico, conforme a gravidade.

O Hospital Vital Brazil, do Instituto Butantan em São Paulo, é referência no atendimento a acidentes por animais peçonhentos.

Com cuidados simples, é possível reduzir significativamente a chance de acidentes, mantendo a segurança doméstica sem prejudicar o equilíbrio natural desses importantes predadores da natureza.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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