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Esses humanos foram geneticamente modificados para mergulhar

Por Leticia Florenço
28/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Quando você segura a respiração e mergulha o rosto em água fria, uma reação automática do corpo é acionada: a frequência cardíaca diminui, os vasos sanguíneos se comprimem e o baço se contrai.

Esse conjunto de mudanças é conhecido como resposta de mergulho. Ele permite que o corpo economize oxigênio, mantendo a energia vital por mais tempo debaixo d’água. Para a maioria das pessoas, isso significa poucos segundos ou minutos submersos.

Mas para os Bajau, esse mecanismo natural foi elevado a um nível extraordinário: eles conseguem permanecer submersos por até 13 minutos, chegando a cerca de 60 metros de profundidade.

Quem são os Bajau

Os Bajau são um povo nômade que vive nas águas que cercam Filipinas, Malásia e Indonésia. Durante gerações, mergulhar para pescar ou coletar elementos do fundo do mar tem sido essencial para sua sobrevivência e cultura.

Sua habilidade lendária de permanecer submersos por longos períodos intrigou cientistas, antropólogos e curiosos do mundo inteiro.

Pesquisadores descobriram que os Bajau possuem baços significativamente maiores, cerca de 50% a mais que os de outros grupos próximos, como os Saluan.

Esse órgão, que muitos consideram pouco relevante, desempenha papel crucial no armazenamento e liberação de glóbulos vermelhos, permitindo que o corpo lide melhor com baixos níveis de oxigênio durante o mergulho.

É como se seu corpo tivesse um “tanque extra” de oxigênio pronto para ser liberado quando necessário.

Genética

Além do baço grande, estudos revelaram a presença de um gene específico chamado PDE10A nos Bajau, que influencia hormônios da tireoide e, consequentemente, o tamanho do baço. Pesquisas em camundongos mostraram que variações nesse hormônio podem alterar diretamente o volume do órgão.

A seleção natural, atuando ao longo de milênios, parece ter favorecido indivíduos Bajau com essa característica, tornando-os geneticamente preparados para mergulhos prolongados.

Outras adaptações subaquáticas

Embora o baço seja um fator chave, outras adaptações fisiológicas podem auxiliar os Bajau. O corpo humano sofre grande pressão em grandes profundidades, o que pode danificar vasos sanguíneos nos pulmões.

Treinamento regular e adaptações do diafragma, tórax e abdômen podem aumentar a complacência desses órgãos, permitindo mergulhos mais seguros e prolongados.

Estudar os Bajau oferece insights valiosos para a medicina. A resposta de mergulho se assemelha à hipóxia aguda, condição crítica em que a perda de oxigênio pode ser fatal.

Compreender como os Bajau resistem a isso pode ajudar a desenvolver tratamentos ou estratégias de emergência para casos de hipóxia em hospitais e ambientes de risco.

Um estilo de vida ameaçado

Apesar de suas habilidades extraordinárias, os Bajau enfrentam desafios modernos. O aumento da pesca industrial e a marginalização social ameaçam seu modo de vida tradicional.

Sem apoio, a transmissão cultural e biológica desse conhecimento pode se perder, levando consigo lições valiosas sobre adaptação humana e saúde.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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