Um estudo publicado na revista Pediatrics revelou que a introdução precoce de alimentos com potencial alergênico, como o amendoim, na alimentação de bebês está relacionada a uma queda expressiva na ocorrência de alergias alimentares na infância.
A investigação avaliou registros médicos de cerca de 125 mil crianças em aproximadamente 50 clínicas pediátricas nos Estados Unidos e constatou que a prevalência de alergias em menores de três anos caiu de 1,46% no período de 2012 a 2015 para 0,93% entre 2017 e 2020, o que corresponde a uma redução de 36%.
Redução das alergias
A redução mais significativa ocorreu nas alergias ao amendoim, que caíram 43%, enquanto os ovos passaram a ser o alérgeno mais comum entre crianças pequenas. As alergias foram identificadas por meio de códigos de diagnóstico e registros de prescrição de EpiPen nos prontuários eletrônicos, garantindo maior precisão na detecção.
Do ponto de vista imunológico, o local do primeiro contato com o alérgeno é determinante. Quando ocorre pela pele, especialmente em áreas lesionadas, há maior risco de resposta imune inadequada, favorecendo a sensibilização.
Já a introdução pelo trato gastrointestinal promove a tolerância imunológica. Por isso, a exposição precoce e adequada a alimentos como amendoim, ovos e leite auxilia no desenvolvimento do sistema imunológico da criança, reduzindo a chance de alergias.
Introdução do amendoim
O estudo LEAP (Learning Early About Peanut Allergy), conduzido em 2015, demonstrou que a introdução precoce do amendoim na alimentação de bebês poderia reduzir em mais de 80% o risco de desenvolvimento de alergia a esse alimento.
Com base nesses resultados, em 2017, os Institutos Nacionais de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos publicaram diretrizes nacionais recomendando que alimentos com potencial alergênico fossem introduzidos na dieta infantil entre quatro e seis meses de idade, como forma de estimular a tolerância imunológica e prevenir reações adversas futuras.
No Brasil, tanto a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) quanto a Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (ASBAI) adotam recomendações alinhadas às diretrizes internacionais. Elas orientam alimentos potencialmente alergênicos sejam introduzidos de forma gradual e individualizada, respeitando os hábitos alimentares da família.






