Um sítio paleontológico na Bacia de San Juan, no noroeste do Novo México, tem revelado informações inéditas sobre os últimos dias dos dinossauros.
Rochas e fósseis do Membro Naashoibito mostram um ecossistema diversificado, cheio de espécies que prosperavam pouco antes do impacto de um asteroide de 10 quilômetros de largura na Península de Yucatán, há 66 milhões de anos.
Cientistas discutem há décadas se os dinossauros estavam em declínio gradual ou se foram extintos de forma repentina pelo asteroide.
Alguns argumentam que ecossistemas enfraquecidos já indicavam fragilidade, enquanto outros defendem que a extinção foi abrupta e que os dinossauros continuavam a prosperar até o último momento.
Encontrar fósseis em camadas bem datadas é essencial para responder essa questão, mas tais registros são extremamente raros.
Descobertas no membro Naashoibito
Entre os fósseis encontrados no sítio, destaca-se o Alamosaurus, um dos maiores dinossauros de pescoço longo que já existiram, capaz de atingir 30 metros de comprimento e mais de 30 toneladas.
A pesquisa mostra que, no sul da América do Norte, os saurópodes gigantes ainda eram comuns, enquanto outras espécies, como dinossauros com bico de pato, tiranossauros e torossauros, conviviam em abundância, demonstrando uma fauna saudável e diversificada.
Métodos de datação
Para determinar a idade das camadas rochosas, os pesquisadores combinaram magnetoestratigrafia, que analisa a orientação do campo magnético da Terra ao longo do tempo, com datação radiométrica, baseada na decomposição de elementos em grãos de arenito.
Isso permitiu identificar uma janela de aproximadamente 380 mil anos antes do impacto do asteroide, mostrando que os dinossauros ainda estavam ativos e adaptados aos seus habitats logo antes da extinção.
Diferenças regionais na fauna
O estudo revela que havia comunidades distintas de dinossauros no norte e no sul do continente. No norte, em áreas como Hell Creek, os saurópodes gigantes já não eram encontrados, enquanto espécies como Triceratops e Edmontosaurus dominavam a paisagem.
No sul, as condições eram mais tropicais e úmidas, permitindo que espécies como o Alamosaurus continuassem a prosperar, mostrando que a diversidade e a adaptação regional eram fatores cruciais para a sobrevivência.
Implicações para a teoria da extinção
As novas evidências indicam que os dinossauros não estavam em declínio, como alguns estudos anteriores sugeriam. Pelo contrário, eles continuavam a ser espécies fortes e adaptáveis, e a extinção foi resultado de uma catástrofe súbita, e não de fraqueza pré-existente.
Isso muda a forma como cientistas entendem os últimos milhões de anos do Cretáceo e a dinâmica da extinção em massa.
Além de fornecer informações sobre o passado, o estudo mostra que mudanças ambientais rápidas podem afetar até as espécies mais resistente.
A extinção dos dinossauros serve como um lembrete de que a resiliência ecológica depende não apenas da diversidade, mas também da capacidade de enfrentar transformações repentinas, algo cada vez mais relevante em tempos de mudanças climáticas.





