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Barras de chocolate perdem status oficial por redução de cacau

Por Leticia Florenço
24/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Cacau - Reprodução/iStock

Cacau - Reprodução/iStock

As barras Penguin e Club, tradicionalmente reconhecidas como chocolates no Reino Unido, não podem mais ser vendidas oficialmente como chocolate.

A medida atinge produtos da Pladis, empresa responsável por marcas como McVitie’s, Godiva, Go Ahead e Jacobs. Segundo a companhia, a alteração é resultado direto do encarecimento global do cacau, que levou à reformulação das receitas.

A Pladis confirmou que as coberturas das barras agora utilizam “sabor chocolate” em vez de chocolate propriamente dito. Isso ocorre porque a quantidade de sólidos de cacau caiu para menos de 20%, abaixo do mínimo exigido pela legislação britânica para o chocolate ao leite.

A mudança, de acordo com a empresa, visa garantir a continuidade da produção diante da escassez do insumo.

Escassez e preços recordes do cacau

O aumento nos preços do cacau atingiu níveis históricos, impulsionado por secas prolongadas em países produtores, como Costa do Marfim e Gana, que são os principais fornecedores do mercado internacional.

Entre 2021 e 2024, o preço da tonelada passou de cerca de US$ 3.500 para US$ 11.500, mais que três vezes o valor anterior, pressionando toda a indústria.

Alternativas na formulação

Para manter a produção, a Pladis passou a combinar massa de cacau com outros ingredientes, como óleos vegetais, garantindo que o sabor se aproximasse do original. Testes realizados com consumidores indicaram que a experiência sensorial se manteve similar, mesmo com a redução do cacau.

O aumento do preço do cacau não só afetou as barras de chocolate, mas também produtos sazonais, como ovos de Páscoa, tornando-os mais caros. A indústria enfrenta o desafio de equilibrar custos elevados com a demanda do consumidor, sem perder a tradição de sabor.

Legislação e comparações internacionais

No Reino Unido, a legislação exige que o chocolate ao leite tenha no mínimo 20% de sólidos de cacau. Na União Europeia, o limite é ligeiramente maior, de 25%.

No Brasil, um projeto aprovado no Senado também estabelece que o chocolate ao leite contenha no mínimo 25% de cacau, alinhando o padrão nacional às normas europeias.

A medida da Pladis demonstra como empresas buscam equilibrar viabilidade econômica, sabor e legislação, mesmo que isso signifique redefinir um produto querido pelos consumidores.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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