Nesta semana, a Polícia Civil de São Paulo desencadeou a Operação Auditoria, que teve como foco uma sofisticada estrutura de tráfico de drogas ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A ação foi resultado de uma investigação aprofundada sobre o funcionamento interno da facção, revelando que os pontos de venda de entorpecentes operavam com uma organização similar à de empresas formais, com setores responsáveis por recursos humanos, controle de escala de “funcionários” e até registro de atestados médicos.
Além da gestão profissionalizada, os locais apresentavam faturamentos semanais que chegavam a cifras milionárias.
Pontos de venda de drogas do PCC tem RH e escala de funcionários
A operação teve como alvos principais os chamados “auditores” da facção, indivíduos encarregados de fiscalizar e administrar a contabilidade dos pontos de tráfico distribuídos pela Grande São Paulo.
Dos 38 mandados de prisão preventiva expedidos pela Justiça, 17 foram cumpridos na última terça-feira (21), quando a operação foi deflagrada.
Também foram executados 110 mandados de busca e apreensão em diversos municípios da região metropolitana, incluindo São Paulo, Guarulhos, Mogi das Cruzes e Itaquaquecetuba.
As investigações revelaram que o PCC mantém uma rede de pelo menos 84 pontos fixos de venda de drogas, muitos localizados na zona leste da capital.
Esses locais contavam com câmeras de segurança e uma estrutura de funcionamento que previa, por exemplo, a elaboração de escalas de trabalho para os integrantes envolvidos na operação das chamadas “lojas”.
A existência de um setor de “RH” responsável por cadastrar novos membros e registrar licenças médicas mostra o nível de profissionalização alcançado pela organização criminosa.
“Loja” do PCC movimentou R$ 700 mil em uma semana
Conversas interceptadas em aplicativos de mensagem, após a apreensão do celular de um dos auditores em maio, revelaram o alto volume de dinheiro movimentado. Um único ponto chegou a registrar R$ 700 mil em faturamento em apenas uma semana.
As planilhas apreendidas detalhavam ainda perdas por apreensões policiais, variações de estoque e remanejamento de drogas entre os pontos de venda.
A operação também resultou na apreensão de documentos, celulares, dinheiro e entorpecentes.
Entre os presos está um suspeito de envolvimento no assassinato do ex-delegado Ruy Ferraz. Segundo a polícia, ele estava armado e com colete à prova de balas no momento da prisão.
As investigações continuam para localizar os demais foragidos e desarticular totalmente a estrutura contábil e operacional do PCC.






