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Céu do Brasil terá aparição inédita do cometa Lemmon

Por Leticia Florenço
22/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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O céu do Brasil será palco de um evento astronômico histórico com a passagem do cometa C/2025 A6 (Lemmon), descoberto em janeiro deste ano pelo observatório Mount Lemmon, no Arizona (EUA).

Este visitante gelado do Sistema Solar está em seu auge de brilho e pode ser observado a olho nu de várias regiões do planeta. Segundo a Royal Astronomical Society, ele é o cometa mais fácil de ser visto em 2025.

Na última terça-feira (21), o Lemmon atingiu sua maior aproximação da Terra, a cerca de 90 milhões de quilômetros, antes de iniciar sua rota de aproximação com o Sol.

Após esse período, começará a se afastar lentamente, desaparecendo dos telescópios e só retornando daqui a cerca de 1.300 anos, um verdadeiro evento de uma única geração.

A origem de um viajante distante

O astrônomo Gabriel Rodrigues Hickel, doutor em Astrofísica pelo Inpe e professor da Unifei, explica que o Lemmon tem origem no Cinturão de Kuiper, uma imensa região de corpos gelados que orbita além de Netuno.

É de lá que vêm muitos cometas de longo período, que se aventuram nas regiões internas do Sistema Solar após milhares de anos de viagem. Segundo Hickel, o Lemmon é um desses visitantes raros e pequenos, feitos de gelo e poeira, com uma trajetória muito alongada.

Sua vinda ao interior do Sistema Solar é uma oportunidade única para os cientistas estudarem a composição desses objetos primitivos, verdadeiras cápsulas do tempo que preservam os materiais originais da formação do Sol e dos planetas.

O brilho verde que encanta observadores

O brilho que torna o Lemmon visível vem da reflexão da luz solar em sua superfície gelada e nos gases liberados quando ele se aquece ao se aproximar do Sol. Esse processo cria uma nuvem difusa em torno do núcleo, chamada coma, e uma longa cauda que sempre aponta para o lado oposto ao Sol.

O tom esverdeado que tem encantado astrônomos e curiosos vem de gases como o cianogênio e o carbono diatômico, substâncias que reagem à radiação solar.

Ainda que o Lemmon não seja tão espetacular quanto cometas famosos do passado, como o Hale-Bopp ou o Neowise, ele proporciona um espetáculo delicado e misterioso, especialmente para quem observa de locais afastados das luzes das cidades.

Onde e quando observar o Lemmon

Até o final de outubro, o cometa estará mais fácil de ser visto no Hemisfério Norte, mas a partir do dia 27 de outubro o cenário muda, favorecendo o público brasileiro. O Lemmon poderá ser observado logo após o pôr do Sol, próximo dos planetas Mercúrio e Marte e da estrela Antares, na constelação de Escorpião.

O ideal é procurar áreas com pouca iluminação artificial, como zonas rurais, praias ou montanhas. A olho nu, o Lemmon aparece como um ponto esverdeado e difuso, diferente das estrelas ao redor.

O brilho deve aumentar até o dia 8 de novembro, quando o cometa alcança o periélio, ou seja, o ponto mais próximo do Sol em sua trajetória.

Um espetáculo que se une aos Orionídeos

A passagem do Lemmon acontece no mesmo período da chuva de meteoros Orionídeos, um dos fenômenos mais aguardados do ano, que está ativa entre 2 de outubro e 7 de novembro. Essa chuva ocorre quando a Terra cruza a trilha de fragmentos deixados pelo cometa Halley, o mesmo que visita nosso planeta a cada 75 anos.

Durante o pico da chuva, é possível ver dezenas de meteoros por hora, especialmente em locais escuros e com céu limpo. Para aproveitar melhor, os astrônomos recomendam evitar luzes artificiais, deixar os olhos se acostumarem à escuridão e olhar na direção da constelação de Órion, de onde os meteoros parecem surgir.

Outros cometas em 2025

Além do Lemmon, o ano de 2025 tem sido generoso com os amantes da astronomia. Outros cometas também deram o ar da graça no céu terrestre: o C/2024 G3 (ATLAS), visível entre janeiro e fevereiro; o 210P/Christensen, que promete um bom brilho em novembro; e o 24P/Schaumasse, que deve encerrar o ano com uma aparição entre dezembro e janeiro de 2026.

Ainda assim, o Lemmon se destaca como o mais acessível a olho nu e o que proporciona a melhor visibilidade em ambos os hemisférios, tornando esta passagem um verdadeiro presente para os observadores do céu.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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