Ana Paula Veloso Fernandes, de 36 anos, estudante de Direito, chama atenção não apenas por sua formação acadêmica, mas pelo comportamento frio e calculista que a polícia atribui aos crimes.
O delegado Halisson Ideião descreve a suspeita de forma direta: “Ela tem prazer em matar, motivação pouco importa para ela”. Esse padrão de indiferença à razão dos homicídios é o que a caracteriza como uma potencial serial killer.
Segundo as investigações, Ana Paula não agia de forma impulsiva. Ela se aproximava das vítimas com pretextos falsos, manipulava situações e criava cenários para despistar autoridades.
Em Guarulhos, por exemplo, ela se mudou para a casa do vizinho Marcelo Fonseca e, poucos dias depois, o matou com envenenamento, permanecendo na residência como se nada tivesse acontecido. O corpo só foi descoberto quatro dias depois.
Vítimas selecionadas
As vítimas de Ana Paula não pareciam seguir um perfil específico. Uma delas, Maria Aparecida Rodrigues, foi morta após conhecê-la por aplicativo de relacionamentos, com o objetivo de incriminar um policial militar.
O crime envolveu preparo minucioso de um bolo envenenado, escrita de bilhetes falsos e acompanhamento discreto da vítima até o momento da morte. A frieza e planejamento chamam atenção dos especialistas do DHPP, que classificam seu comportamento como consistente e metódico.
Assassinato por encomenda
O episódio mais grave envolveu o empresário Neil Correia da Silva, do Rio de Janeiro. A filha dele, Michele Paiva de Queiroz, teria encomendado o assassinato. Ana Paula viajou de São Paulo ao Rio levando o veneno, preparou a comida com Michele e acompanhou o resultado fatal.
As gravações analisadas mostram que Ana Paula se referia ao assassinato como “TCC”, sugerindo uma espécie de ritual ou código pessoal para os crimes por encomenda.
Um dos aspectos mais intrigantes é o comportamento da suspeita em relação às autoridades. Ana Paula frequentemente se apresentava como denunciante ou testemunha, mesmo quando era autora do crime.
Ela ligava para a polícia, relatava os fatos e monitorava de perto as investigações, como se tivesse prazer em observar o impacto de seus atos.
Envolvimento do DHPP
O Núcleo de Análise Comportamental do DHPP acompanha o caso, estudando o padrão de comportamento da suspeita. Os investigadores identificam características clássicas de serial killers, prazer em matar, indiferença à motivação e planejamento minucioso.
Esses elementos tornam o caso um dos mais complexos de homicídio por envenenamento em São Paulo, atraindo atenção nacional.
A defesa de Ana Paula afirma que a cliente apenas relatou os fatos à polícia e que a verdade será esclarecida ao final das investigações. Até o momento, todos os indícios são baseados em depoimentos, gravações e análise comportamental da polícia.
Impacto e repercussão
O caso de Ana Paula Veloso Fernandes não é apenas mais uma investigação policial, é um estudo profundo sobre comportamento criminoso e psicologia do homicídio planejado.
Especialistas acompanham cada detalhe para entender motivações, padrões e como indivíduos aparentemente comuns podem cometer crimes extremos, lançando luz sobre um dos aspectos mais obscuros da mente humana.





