Um comportamento surpreendente de peixes raros registrado por policiais ambientais no interior de Mato Grosso do Sul despertou o interesse de pesquisadores da Universidade Federal do Mato Grosso do Sul (UFMS).
O que era para ser uma patrulha rotineira nas proximidades da Cachoeira do Sossego, em Corguinho, se transformou em um achado científico raro: pequenos peixes estavam escalando paredes rochosas íngremes, desafiando a força da correnteza.
Intrigados com a cena inusitada, os cientistas iniciaram uma investigação detalhada para compreender como e por que esses peixes, da espécie Rhyacoglanis paranensis, são capazes de subir cachoeiras de até quatro metros de altura.
Peixes podem escalar cachoeiras de até 4 metros
As imagens mostram uma verdadeira “coluna viva” de bagres-abelha, como são popularmente conhecidos, movimentando-se lentamente contra a água corrente, ocupando encostas escorregadias e até mesmo superfícies verticais.
Em alguns pontos, a quantidade de indivíduos era tamanha que os animais pareciam formar uma parede de escamas em movimento.
Dias após o registro inicial, a equipe da UFMS se deslocou até o local e confirmou que se tratava de uma migração em massa, provavelmente relacionada ao ciclo reprodutivo da espécie.
Durante o estudo de campo, os pesquisadores observaram que os peixes aguardavam o anoitecer para iniciar a subida. Durante o dia, permaneciam abrigados sob pedras ou em regiões sombreadas. Quando a luz do sol diminuía, começavam a escalar com movimentos curtos e precisos.
A técnica utilizada pelos bagres combina impulso da cauda, ondulações laterais do corpo e o uso das nadadeiras peitorais abertas para se firmarem nas superfícies molhadas.
Um detalhe curioso chamou a atenção: ao aderir à rocha, os peixes formavam uma pequena cavidade sob o abdômen, gerando um tipo de sucção natural que ajudava a manter a fixação durante o deslocamento.
Registro e estudo sobre o peixe raro é fundamental para a conservação da espécie
Além da performance física impressionante, a descoberta tem implicações relevantes para a ciência. É a primeira vez que esse tipo de comportamento é documentado em um peixe da família Pseudopimelodidae.
O estudo, publicado no Journal of Fish Biology, levanta novas questões sobre a biologia e os hábitos migratórios desses pequenos animais, que raramente ultrapassam nove centímetros.
Para os cientistas, compreender esse fenômeno é fundamental para a conservação da espécie, especialmente diante de ameaças como barragens e fragmentação dos rios.





