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Tesouro enterrado rende mais de R$ 400 bilhões

Por Leticia Florenço
20/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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ouro

Ouro - Reprodução/Unsplash

Não é preciso um mapa com “X” marcado nem uma arca pirata para falar de tesouro. A maior fortuna de ouro já localizada está guardada a 3 quilômetros de profundidade, sob a terra quente e instável da África do Sul.

Ali, na mina de South Deep, encontra-se um patrimônio estimado em mais de R$ 400 bilhões, um verdadeiro cofre natural que desafia a imaginação e a engenharia humana.

Uma herança de 2 bilhões de anos

O ouro de South Deep não surgiu por acaso. Ele é fruto de um fenômeno geológico raríssimo ocorrido há mais de dois bilhões de anos, quando rios antigos despejaram metais preciosos em um lago gigantesco.

Com o passar do tempo, o ouro ficou soterrado por camadas de sedimentos e rochas, formando a lendária Bacia de Witwatersrand. A região se tornou palco da maior corrida do ouro da história, em 1886, transformando Joanesburgo em um símbolo da mineração mundial.

A mina que funciona como uma cidade

South Deep não se parece com as minas de cinema, pequenas cavernas iluminadas por tochas. Ela é uma metrópole invertida, uma cidade subterrânea que desce verticalmente até quase 3.000 metros.

Para chegar lá embaixo, os trabalhadores viajam em elevadores que atingem 60 km/h, descendo em poucos minutos a distância equivalente a três vezes a altura do Pão de Açúcar. No fundo, o calor é sufocante, a rocha chega a mais de 50°C, exigindo sistemas de resfriamento que consomem energia em escala colossal.

O tesouro escondido no coração da terra

Dentro dessa imensidão subterrânea repousam 32,8 milhões de onças de ouro, algo em torno de 1.020 toneladas. É ouro suficiente para produzir mais de 80 milhões de alianças de casamento.

Na cotação atual, o valor ultrapassa US$ 75 bilhões, ou cerca de R$ 410 bilhões. Uma riqueza que, segundo estimativas, ainda poderá ser explorada até o ano de 2092, tornando South Deep uma mina capaz de atravessar gerações.

Quando a fortuna custa caro

Mas nem todo tesouro é fácil de alcançar. O preço da extração impressiona: a manutenção de South Deep ultrapassa US$ 1 bilhão por ano. Os gastos vão desde a compra de maquinário até sistemas de ventilação e segurança, passando por logística de transporte e salários de milhares de trabalhadores.

É o exemplo perfeito de que riqueza em potencial não se traduz automaticamente em lucro imediato. Cada grama de ouro exige esforço humano, tecnologia e muito capital.

O papel da África do Sul no Ouro Mundial

A Bacia de Witwatersrand é responsável por um feito histórico: dela saiu mais de 40% de todo o ouro já extraído pela humanidade. Foi o motor da economia sul-africana durante décadas e ajudou a definir a importância do ouro como base monetária no mundo moderno.

South Deep, como herdeira dessa tradição, mantém viva a relevância do país no mercado global, ainda que com custos cada vez mais altos para manter a exploração.

No fim, a maior mina de ouro do mundo mostra que a verdadeira fortuna não está apenas em encontrar o recurso, mas em ter a capacidade de transformá-lo em realidade.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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