Uma pesquisa recente publicada na revista Science Advances aponta que cães podem manifestar comportamentos análogos a vícios em relação aos seus brinquedos. O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade de Berna, na Suíça, envolveu 105 cães de diversas idades e raças, combinando questionários respondidos pelos tutores com testes práticos que observavam as reações dos animais frente a diferentes estímulos, como petiscos, a presença do tutor e outros objetos concorrentes.
Nos humanos, vícios comportamentais são definidos como compulsões que oferecem prazer imediato, mas que podem acarretar efeitos negativos a longo prazo, como acontece em jogos de azar ou apostas. O estudo sugere que padrões semelhantes podem surgir nos cães ao interagirem com determinados brinquedos.
Vicio dos cachorros em brinquedos
No estudo, 33 cães apresentaram comportamentos semelhantes a vícios, como fixação intensa em um brinquedo específico, desinteresse por alternativas como alimento ou interação com o tutor, insistência em acessar o objeto quando este não estava disponível e dificuldade em se acalmar após a brincadeira.
Esses padrões sugerem que os cães podem desenvolver uma motivação excessiva por determinados objetos de forma natural, sem necessidade de estímulo externo. Para os pesquisadores, os achados indicam que a espécie pode exibir formas de vício comportamental de maneira inédita entre animais não humanos.
Novas possibilidades
Embora os resultados sejam relevantes, os pesquisadores ressaltam que não se pode afirmar que os cães sejam “viciados” nos termos usados para humanos, já que a definição de vício envolve consequências negativas bem estabelecidas. Nos animais, essas repercussões podem se manifestar como estresse, ansiedade ou frustração prolongada quando o brinquedo não está disponível.
O estudo, porém, abre novas possibilidades para investigar a relação emocional entre cães e objetos específicos, contribuindo para a compreensão dos mecanismos de motivação, recompensa e comportamento compulsivo em animais de companhia. Os achados destacam a importância de monitorar padrões comportamentais que impactam o bem-estar dos pets e fornecem orientações valiosas para tutores e profissionais que lidam com o cuidado de cães.






