Pesquisadores da Universidade de Bristol projetam que, dentro de milhões de anos, a Terra voltará a concentrar todos os continentes em uma única massa de terra. Essa futura configuração recebeu o nome de “Pangeia Próxima” ou “Pangeia Última”, em referência à antiga Pangeia que existiu há centenas de milhões de anos.
Segundo o estudo, a fusão continental ocorrerá na região onde hoje se localiza a África. Europa e África se unirã̃o, a Austrália colidirá com a Ásia, e as Américas, juntamente da Antártica, formarão um bloco contínuo.
O território brasileiro fará parte dessa grande massa de terra, enquanto a Nova Zelândia será a única região a permanecer isolada.
O efeito dobra e o aumento extremo das temperaturas
Um dos pontos mais impressionantes da pesquisa é o chamado “efeito dobra”, descrito pelo climatologista Alexander Farnsworth. Esse fenômeno poderá dobrar a temperatura média da superfície da Terra, transformando o planeta em um ambiente de calor quase insuportável.
A causa está na concentração dos continentes, que afastará grandes áreas de terra da influência reguladora dos oceanos, e na intensificação da atividade vulcânica resultante das colisões entre placas tectônicas.
Atmosfera sobrecarregada de dióxido de carbono
Nesse cenário, os cientistas estimam que a atmosfera passará a conter 50% mais dióxido de carbono em comparação com os níveis atuais. Essa sobrecarga de gases de efeito estufa amplificará ainda mais o aquecimento, levando algumas regiões a registrar temperaturas de até 60 °C.
As condições extremas transformarão a superfície da Terra em ambientes hostis. A falta de proximidade com os oceanos dificultará a formação de chuvas, dando origem a desertos extensos.
As variações térmicas serão intensas, com dias escaldantes e noites de resfriamento brusco. Grande parte da vida que conhecemos hoje teria dificuldades para sobreviver em tal cenário, resultando em ecossistemas frágeis.
O alerta para o presente
Apesar de estar previsto para milhões de anos no futuro, o estudo funciona como um alerta para os dias atuais. Ele mostra como o clima da Terra é sensível a mudanças e reforça a necessidade de conter o aquecimento global já em andamento.
O que parece um fenômeno distante serve como analogia para lembrar que o excesso de gases poluentes emitidos hoje já compromete o equilíbrio climático do planeta.
Imaginar uma Terra transformada em um imenso bloco continental, com temperaturas próximas a 60 °C, pode soar como ficção científica. No entanto, trata-se de uma projeção científica fundamentada no movimento das placas tectônicas e na interação entre geologia e clima.





