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Cemitério escondido no meio do oceano é encontrado

Por Leticia Florenço
08/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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No coração do Pacífico Sul, a cerca de 2.700 quilômetros de qualquer continente ou ilha, encontra-se o Ponto Nemo. Seu nome remete ao capitão submarino do romance de Júlio Verne, e a região ganhou fama por ser o “polo oceânico de inacessibilidade”.

Por estar tão distante, os seres humanos mais próximos, curiosamente, não estão em nenhum navio ou ilha, mas orbitando a Terra na Estação Espacial Internacional. Esse isolamento extremo faz do Ponto Nemo um cenário quase mítico para cientistas e exploradores, um local onde a Terra parece tocar o vazio do espaço.

O cemitério do espaço

Desde a década de 1970, o Ponto Nemo tem sido usado como destino final de satélites, naves espaciais e estações desativadas. Por causa das profundidades que chegam a 4.000 metros e da escassa vida marinha, o local é praticamente ideal para o descarte de equipamentos espaciais.

Quando o último dia da Estação Espacial Internacional chegar, em 2031, ela também será enviada para esse cemitério oceânico. A NASA confirma que, mesmo no fim de sua trajetória, a estação não encontrará rival em isolamento.

Sobreviventes improváveis

Apesar da aparente aridez, a vida encontra maneiras de persistir. No Ponto Nemo, apenas organismos extremamente resistentes, como algumas espécies de bactérias e caranguejos, conseguem sobreviver.

A combinação de baixas temperaturas, pressão intensa e escassez de nutrientes cria um ambiente que quase nenhum ser consegue habitar, tornando o cemitério do espaço também um laboratório natural para estudar a resistência da vida em condições extremas.

A marca humana também chega lá

Mesmo o lugar mais remoto do planeta não escapa da presença humana. Pesquisas recentes durante a regata Volvo Ocean Race detectaram microplásticos nas águas do Ponto Nemo.

Plásticos, fragmentos de embalagens e partículas minúsculas chegam ali através de correntes oceânicas que percorrem milhares de quilômetros. O que impressiona é a ironia: mesmo um cemitério espacial e oceânico, isolado e profundo, não está livre da poluição gerada pela própria espécie que o inventou.

Os destroços que flutuam ou descansam em seu leito profundo lembram que, mesmo em regiões inóspitas, a presença humana deixa rastros.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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