O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), causou repercussão ao afirmar que só se preocuparia com falsificações quando grandes marcas de refrigerantes fossem alvo de criminosos, citando especificamente a Coca-Cola.
A declaração, feita com um tom irônico, ocorreu em meio à grave crise de intoxicação por metanol, que já resultou em duas mortes confirmadas no estado.
A fala que chamou atenção
Durante coletiva de imprensa sobre os casos de intoxicação, Tarcísio disse:
“No dia em que começarem a falsificar Coca-Cola eu vou me preocupar… Ainda bem que não chegaram nesse ponto. Coca-Cola, até aqui, não. E a minha é normal.”
O comentário foi acompanhado de um sorriso e olhares para os presentes, incluindo os secretários da Saúde e da Justiça, que permaneceram sem reação diante da fala irônica.
Desinformação nas redes sociais
Enquanto isso, vídeos manipulados por inteligência artificial começaram a circular nas redes, envolvendo notícias falsas sobre bebidas adulteradas.
Uma dessas postagens utilizava imagens da jornalista Renata Vasconcellos, dando a entender que a informação teria sido veiculada pelo Jornal Nacional, o que não ocorreu. A situação evidencia como a desinformação digital pode agravar crises sanitárias e gerar pânico entre a população.
Reunião com fabricantes de bebidas
A fala do governador surgiu durante reunião com representantes de grandes fabricantes de bebidas alcoólicas, incluindo Jack Daniel’s, Johnnie Walker, Smirnoff, Absolut e Jim Beam, que colaboram com o governo no treinamento de identificação de produtos falsificados.
Tarcísio comentou que não se aventuraria no tema de falsificação de bebidas alcoólicas, admitindo que não é sua especialidade.
Gravidade da intoxicação por metanol
O estado paulista concentra o maior número de casos de intoxicação por metanol, substância altamente tóxica. Até o momento, duas mortes foram confirmadas em São Paulo, e há outras 12 sob investigação em diferentes estados. Ao todo, 164 casos suspeitos foram reportados no estado.
O metanol, também conhecido como álcool metílico, é incolor e semelhante ao etanol, mas extremamente perigoso. Pequenas quantidades já podem causar sérios problemas de saúde, incluindo náuseas, cegueira permanente, convulsões e morte.
Segundo o CDC, apenas 10 ml de metanol puro podem causar cegueira, enquanto 30 ml podem ser fatais.
Alerta à população
Especialistas reforçam que a intoxicação pelo metanol é traiçoeira e que qualquer ingestão deve ser tratada como emergência médica imediata. A atenção a alertas de autoridades sanitárias e a correta identificação de bebidas é essencial para evitar novos casos.
A combinação de desinformação digital e a presença de produtos falsificados representa um desafio crítico para a saúde pública em São Paulo e no Brasil.





