Nos últimos anos, o modelo de venda direta — em que produtos de marcas consolidadas são comercializados por revendedores sem a necessidade de pontos físicos — vem passando por mudanças expressivas no Brasil. Antes fortemente associado ao público feminino, esse formato de negócios tornou-se mais amplo e inclusivo, atraindo diferentes perfis de empreendedores.
Dados da Associação Brasileira de Empresas de Vendas Diretas (Abevd) indicam que os homens já correspondem a cerca de 40% dos mais de três milhões de revendedores ativos no país, reflexo de transformações no setor e da diversificação das oportunidades de atuação.
Revenda de produtos
A flexibilidade de horários é o principal motivo que leva muitos empreendedores à venda direta, sendo apontada por 55% dos revendedores. Em segundo lugar está o desejo de maior autonomia profissional, citado por 54,4% dos entrevistados. Esse modelo permite adaptar o trabalho a diferentes rotinas, atendendo tanto quem busca renda extra quanto quem deseja empreender de forma independente.
A ampliação do portfólio de produtos também tem diversificado o perfil dos revendedores. Antes concentrada em cosméticos e beleza, a venda direta hoje inclui suplementos, itens de bem-estar, produtos de limpeza, utilidades domésticas, artigos esportivos e até serviços. Essa variedade tem atraído novos públicos, como homens e jovens adultos, ampliando o alcance do setor.
Sucesso entre jovens
Os dados da Abevd mostram que jovens de 18 a 29 anos já representam 49% dos revendedores no país. Para muitos, a venda direta é uma porta de entrada para o empreendedorismo, com baixo custo inicial, retorno rápido e flexibilidade para conciliar estudos ou outros empregos.
As ferramentas digitais têm papel decisivo nesse cenário: cerca de 80% utilizam aplicativos de mensagens, como o WhatsApp, e 71% recorrem às redes sociais para divulgar produtos e interagir com consumidores. Recursos de inteligência artificial ajudam a organizar atendimentos, personalizar comunicações e automatizar lembretes, tornando o trabalho mais ágil e estratégico.
A internet também reduziu barreiras de entrada, permitindo que qualquer pessoa crie seus próprios canais de venda com baixo investimento e alcance ampliado. O investimento inicial varia de acordo com a empresa. Algumas exigem a compra de kits de produtos, enquanto outras oferecem cadastro gratuito, treinamento e suporte aos novos revendedores.






